A Copa das Confederações será mais um termômetro do que apenas um teste para o Mundial. Embora quatro cidades vão avaliar suas condições gerais para receber a Copa de 2018, os organizadores locais e a Fifa vão dispensar atenção especial ao ambiente na Rússia.

A proximidade de eleições presidenciais, marcadas para 2018 também, a segurança e o temor com casos de racismo nos estádios são as grandes preocupações para o evento.

Na última segunda-feira, por exemplo, cerca de 1,5 mil pessoas foram presas durante protestos em Moscou e São Petersburgo, cidades que recebem partidas das Confederações. Segundo as agências de notícias internacionais, o líder opositor Alexei Navalni convocou as manifestações para reclamar de corrupção do governo do presidente Vladimir Putin. Navalni deve ser candidato ao pleito presidencial do próximo ano.

Curiosamente, a situação de protestos se assemelha à vivida na última edição do torneio. Em 2013, no Brasil, as principais cidades tiveram passeatas contra os gastos do governo para trazer a Copa de 2014 ao País. As manifestações daquela ocasião fizeram surgir o rito do hino nacional à capela antes dos jogos da seleção brasileira, cantado pela primeira vez na partida em Fortaleza, contra o México, em dia de bastante tensão gerada pela mobilização nas ruas da capital cearense.

O governo russo está atento ao risco de confusões, principalmente após o atentado de abril no metrô de São Petersburgo matar 14 pessoas. As autoridades decidiram obrigar os estrangeiros a um procedimento inédito para a Copa do Mundo. Quem vier de fora do país, terá de se cadastrar em um site e fazer uma espécie de carteira de identidade. O intuito é facilitar a busca por possíveis suspeitos de envolvimento em brigas.

Os jogos terão observadores antidiscriminação, que vão identificar manifestações de preconceito e comunicar o árbitro para paralisar a partida ou pedir o anúncio público no estádio como advertência. Os telões exibirão vídeos com mensagens contra a discriminação, de qualquer tipo. Possíveis incidentes serão encaminhados para análise do Comitê Disciplinar da Fifa. "São mudanças inovadoras na luta global contra a discriminação", diz o presidente da entidade que controla o futebol mundial, Gianni Infantino.