Aliar competência e uma pitada de sorte é uma das receitas mais famosas para se alcançar o sucesso. Com o atacante Leandrinho, reforço que deve ser anunciado pelo Atlético (por empréstimo) nas próximas horas, não foi diferente. Ele já está em Belo Horizonte, onde realiza exames médicos.

Cria do Ituano, mas revelado pela Ponte Preta, o jogador que atualmente está no Napoli, da Itália, ganhou destaque quando um companheiro de Sub-17 da Macaca foi para o banco de reservas por não ter alcançado notas boas na escola; acionado, não decepcionou.

"O campo em que trabalhávamos era péssimo. Porém, a bola nunca estava ruim para ele. Podia ser qualquer campo que ele fazia a pelota rolar de qualquer jeito; fazia sempre grandes jogadas. Quando foi pela primeira vez para a Seleção, ele era reserva. Só que o titular não estava bem na escola e acabou cortado", conta Elio Sizenando, ex-técnico da Ponte, que o levou à equipe principal, na época comandada por Guto Ferreira.

"O Leandrinho chegou no clube com 16 anos. Comecei a fazer estágio com o Guto. Ele já era jogador da Seleção, mas o Guto não o conhecia. Quando ele perguntou para mim na época quem eu achava o melhor jogador da base da Ponte, eu logo indiquei o Leandrinho. Ele fez um treino com a equipe principal e nunca mais voltou (risos)", acrescenta.

De acordo com Sizenando, atualmente no Desportivo Brasil, o novo atacante do alvinegro é muito rápido e acima da média. Leandrinho, de 20 anos, também se destaca nas bolas paradas e pelo bom controle de bola, com as duas pernas. Na base da Macaca, quando foi visto pelo treinador da equipe principal, o atacante recebia cerca de 400 reais por mês.

"É um menino bom, fácil de lidar e bem humilde. Ele ouve muito o que falamos, é trabalhador. Tecnicamente ele é bem acima da média."Pode dar certo no Atlético porque no Brasil ainda prevalece muito a técnica.  Isso sobra nele. Se derem a moral que deram ao Emerson (lateral-direito), o Leandrinho pode ajudar muito o clube. Ele precisa se mostrar profissionalmente", diz o ex-técnico.

Filho temporão e de uma família grande, o atacante não teve oportunidades no clube italiano, que pagou 600 mil Euros (R$ 2 milhões na época) para tê-lo. De acordo com Elio, o não aproveitamento na Itália aconteceu pelo investimento feito pelo clube na contratação de atletas de renome.

"Quando ele veio para a Ponte, ele só fazia uma função. Ensinei ele a jogar nas três lá na frente, a ser um meia também, e aprender a voltar a marcar. É um moleque sempre pronto a aprender e o Thiago (Larghi) vai se dar bem com isso", finaliza.

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Saída da Ponte Preta

Negociado com o Napoli em janeiro do ano passado, Leandrinho não tinha contrato profissional assinado com o time de Campinas. Por isso, ficou um ano longe dos gramados, preso num imbróglio entra a Macaca e seus agentes, que já o negociavam com o Velho Continente. O caso foi à Justiça e a equipe brasileira viu como satisfatório o valor recebido na transação.

Leandrinho chegou a atuar no Brasileirão de 2015, aos 16 anos, quando fez oito jogos pela Ponte. Ele também foi titular da Seleção Brasileira sub-17 no Sul-Americano e no Mundial do mesmo ano.

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