O 'não desminto, nem confirmo', com a voz rouca, fará falta. Nesta quinta-feira (8), o futebol mineiro se veste de luto para prestar homenagens ao falecimento de uma figura histórica. Morreu, vítima de um câncer no estômago, Eduardo Maluf. O profissional que sonhou em ser goleiro, largou as luvas, virou empresário e mudou a trajetória dos dois maiores clubes do Estado na figura de diretor de futebol.

Aos 61 anos, Maluf sofria de câncer no estômago e não resistiu na luta contra esta grave doença. No Atlético desde 2010, fez parte da reconstrução do clube na gestão do presidente Alexandre Kalil. Profundo conhecedor dos bastidores da bola, um dia se orgulhou a este repórter, durante uma bronca, que havia participado de negociações de jogadores que envolviam milhões e milhões de reais. E não era exagero. 

Do Valério, em Itabira, trocou o limitado talento debaixo das traves pela ilimitada capacidade de gerir negócios, negociações e, mais do que isso, pessoas. No vestiário, ele dominava o ambiente com destreza impecável. Não à toa sempre foi cobiçado pelos maiores clubes do Brasil e chegou a ser o diretor de futebol mais bem remunerado do país.

Os quatro dígitos de telefone, que soavam como música pela combinação, eram constantemente consumidos pela imprensa, ávida por notícias. Normalmente, a resposta sobre especulações de jogadores era a mais em cima do muro possível: 'não desminto, nem confirmo'. Até porque, uma de suas lições era: "qualquer comentário sobre isso atrapalha a negociação".

Nas peladas de fim de ano na Cidade do Galo, quando a comissão técnica reunia um time para enfrentar uma equipe formada pelos setoristas do clube, os novatos da brincadeira não imaginavam que aquele senhor de cabelos brancos, com estatura mediana, que começou a carreira como goleiro, sabia dominar a bola como ninguém. A lentidão da idade compensava pela inteligência no passe, em dar velocidade na bola. 

Eduardo Maluf, o primeiro em pé, na época de aspirante a goleiro: demovido da ideia por Vicente Lage

Eduardo Maluf, o primeiro em pé, na época de aspirante a goleiro: demovido da ideia por Vicente Lage, o 109

Mas foi fora de campo que ele brilhou, fez a diferença. Com mais de 10 anos no cargo de diretor de futebol do Cruzeiro, participante da campanha da Tríplice Coroa, foi demitido em 2010 para ficar poucos dias fora do mercado. Queria permanecer em Belo Horizonte e aceitou o convite de Alexandre Kalil. Uma parceria que iria mudar a trajetória do Galo, com os campeonatos da Libertadores e Copa do Brasil, dois dos três maiores títulos do clube alvinegro.

Eduardo Maluf Martins, o "Turco", nascido em João Monlevade-MG, começou na vida extra-campo do futebol como supervisor do Valério Doce. Era dono da Pousada dos Pinheiros, hotel em Itabira. Conseguiu a cadeira de presidente do clube da cidade. E foi conquistando espaço nos bastidores do futebol mineiro. Chamou a atenção do Cruzeiro em reuniões na Federação Mineira. Teve a primeira passagem pelo Atlético em 2000, na gestão de Nélio Brant, quando retornou 10 anos depois.

Foi essencial para a retomada do caminho das glórias no Atlético. Protagonista, mesmo atrás das cortinas, do maior momento da história do clube. E tudo isso graças a um drible do destino, já que ele quase assumiu o posto de direção de seleções da CBF poucos meses depois de retornar à Cidade do Galo.

Maluf faleceu em Belo Horizonte, deixando quatro filhos, esposa e um "currículo invejável". Uma notícia que todos gostariam de "não confirmar" e "desmentir" veementemente. 

Maluf