Em 2015, completou-se 43 anos do que foi, talvez, o pior episódio da história dos Jogos Olímpicos: o atentado terrorista na concentração dos atletas de Israel em Munique, no ano de 1972, que aterrorizou a Alemanha durante mais de 24 horas e terminou com um saldo de 17 mortes. Mesmo após todo esse tempo, informações novas sobre o caso continuam surgindo.

Ilana Romano, viúva do halterofilista Yousseff Romano, mostrou fotos do corpo do marido ao jornal The New York Times, dos Estados Unidos. Mesmo assim, por considerá-las muito fortes, o diário decidiu por não publicá-las. "O que eles (terroristas) fizeram foi cortar a genitália através da cueca e abusá-lo. Você pode imaginar os outro nove (reféns) sentado em volta amarrados? Eles tiveram de ver isso", revela Ilana.

Veterano de guerra, Yousseff foi assassinado ao tentar se voltar contra os sequestradores enquanto eles tentavam invadir o segundo apartamento naquela madrugada de 4 de setembro. Não fica claro, pelas novas informações, se ele teria sido castrado antes ou depois de ser morto. "O momento que vi as fotos foi muito doloroso. Até aquele dia eu me lembrava de Yousseff como um homem de um grande sorriso", completou Ilana, que ainda revelou que outros reféns também foram abusados e espancados antes de serem mortos.

O atentado ocorreu na madrugada do dia 5 de setembro de 1972. Àquela altura, na segunda semana dos Jogos Olímpicos, a Alemanha já havia relaxado nas medidas de segurança, já que não gostaria de transmitir mais uma vez a imagem militarizada da Olimpíada de Berlim, em 1936, em pleno regime nazista. Esta foi a deixa para que os terroristas do grupo palestino "Setembro Negro" agissem contra os atletas israelenses.

Ao todo, eram oito terroristas na operação. Alguns deles trabalharam na Vila Olímpica nos dias anteriores, planejando o ataque. Cinco deles foram mortos no massacre e outros três foram capturados, presos, e depois soltos em negociação dois meses depois, durante sequestro do voo 615 da Lufthansa. Na Líbia, eles foram recebidos como heróis. O último a falecer foi Abu Daoud, mentor do sequestro, que não resistiu a uma falência renal em 2010. Na ocasião, a Olimpíada de 1972 encontrou resistência, mas acabou sendo suspensa.