Os bastidores do Cruzeiro pós-eleição do novo presidente estão muito inflamados. A primeira grande missão de Wagner Pires de Sá, mandatário para o triênio 2018, 2019 e 2020 terá sua primeira grande missão: unificar o clube. E essa tarefa, ao que parece, será bem complicada.

Na tarde desta quinta-feira (5), Bruno Vicintin, ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, gravou áudios no Whatsapp sobre o motivo de sua saída do clube. Aquilo que se especulava foi confirmado: Itair Machado como “homem forte” do futebol celeste fez o antigo dirigente tomar sua decisão. 

“Até a eleição, o Itair jurava de pé junto que não gostaria de trabalhar com o futebol nunca mais na vida. O Gilvan e o Lemos falavam que não aceitavam de jeito nenhum que tirassem o Guilherme Mendes. Um dia depois da eleição, quando eu vi que começou esse sururu todo, eu liguei para o Gilvan e para o Wagner e combinei de conversar. Até porque quando o Wagner tinha me convidado, ele tinha dito que não mudaria nada do futebol, em caso de vitória da chapa. Quando liguei para o Gilvan, eu disse para encontrarmos e marcarmos para resolver essa porra (sic), porque se não ia ficar criando especulação e eu não queria isso para mim. Chegando lá, a conversa foi a seguinte: ‘Eu quero que o Itair vá para o futebol, mas quero que trabalhe com você’. Eu falei para o Wagner que entendi que o Itair era da confiança dele, que tinha investido dinheiro na campanha dele, e que não era isso que tinha sido falado antes da campanha. Porém, que eu tinha minha equipe que era o Klauss, o Tinga, o Guilherme e o Pedro e que, para eu trabalhar, teria que ficar com essa equipe”, revelou.

Wagner Pires de Sá na conversa com Bruno Vicintin disse que o ex-dirigente precisava conversar com Itair Machado, e que gostaria de vê-los trabalhando juntos. 

“Aí ele falou que não, que eu precisava conversar com o Itair. Eu disse que não tinha nenhum problema com o Itair, porém, cheguei num nível do futebol que eu posso escolher minha equipe. Aí o Gilvan falou para ele algumas que eu prefiro não falar. O Wagner falou que o Itair estava nos Estados Unidos e que voltaria em uma semana. Que era para eu esperar uma semana para conversar com o Itair. Eu, sinceramente, não tinha nada para falar com o Itair. Já estava clara qual era a intenção. Eu falei que o Gilvan que eu estava entregando o cargo. Cruzeiro não tem chance de ser campeão, não tem chance de ser rebaixado, e que eu estava entregando o cargo”, completou. 

Em contato com o presidente Gilvan de Pinho Tavares e com José Francisco Lemos, vice-presidente, Vicintin ouviu da dupla um pedido: para permanecer no Cruzeiro.

“Hoje (quinta-feira) o (José Francisco) Lemos e o Gilvan me ligaram, na verdade eu liguei para o Gilvan para avisar que vou despedir dos jogadores amanhã (sexta-feira), que eu queria sair na foto do título, acho que mereço isso, e que eu tinha prometido para os jogadores uma festa na minha fazenda e que eu pretendo fazer. Já está até marcado. Ele pediu para eu reconsiderar, ficar até o fim do mandato, mas eu disse que não, que a decisão estava tomada. Pedi que ele entendesse. O Lemos também ligou, pediu para eu considerar, ficar até o fim do mandato, para negociar depois, eu falei para o Lemos que não, que eu não concordava com o que não estava sendo cumprido. Se em dois dias mudou tanto, eu não queria fazer parte disso. Foi uma decisão pessoal minha, desejo toda sorte do mundo para o Wagner, Itair, Serginho, quem quer que seja que tome conta do Cruzeiro. Vou viver minha vida com tranquilidade”, concluiu.