O último integrante do grupo acusado de sequestrar, extorquir e assassinar dois empresários no bairro Sion, na Zona Sul de Belo Horizonte, foi condenado nesta sexta-feira (24). A juíza sumariante do II Tribunal do Júri em substituição, Lílian Bastos de Paula, condenou o advogado Luiz Astolfo Sales Bueno a 4 anos de prisão em regime aberto. No entanto, ele poderá responder em  liberdade.
 
As vítimas eram Rayder Rodrigues, de 39 anos, e Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos. Eles foram assassinados em um apartamento do bairro Sion, em abril de 2010. O advogado foi absolvido pelos crimes de  sequestro e cárcere privado e associação criminosa. A condenação foi pela extorsão dos empresários.
 
Segundo o TJMG, a denúncia diz que o advogado forneceu dados sobre as vítimas ao líder do bando, Frederico Flores. Ele agiu em companhia do estudante de direito Arlindo Soares Lobo, da médica  Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, dos ex-policiais militares Renato Mozer e André Luiz Bartolomeu, do garçom Adrian Gabriel Grigorcea e do pastor Sidney Eduardo Benjamim. O advogado ganhou do líder do grupo um Citroën C3 que pertencia a um dos empresários e abandonou o automóvel dias após o crime, em 16 de abril de 2010, na região de Contagem.
 
A juíza Lílian Bastos de Paula entendeu que a extorsão ficou comprovada pelo interrogatório dos demais acusados e pela notícia, trazida pelo próprio acusado, em seu interrogatório, de que ele recebera um carro presenteado por Frederico como pagamento pela informação repassada.
 
Quanto aos delitos de sequestro e cárcere privado, destruição, subtração ou ocultação de cadáver e formação de quadrilha e bando armado, a juíza considerou que não havia provas da autoria, pois os outros sete réus afirmaram que o advogado não esteve no apartamento de Frederico nos dias em que as vítimas foram mortas. A maioria dos acusados declarou que nem sequer conhecia o advogado. Leia a íntegra da sentença.
 
O advogado é o último dos envolvidos a ser julgado e o único cujo caso não foi examinado por um júri popular, já que em 8 de julho de 2011 ele foi absolvido dos dois homicídios e acusado por extorsão, sequestro e cárcere privado e associação criminosa. O réu recorreu, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou o argumento em março de 2012. Luiz Astolfo levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça, que determinou ao juiz que absolveu o réu ou proferir sentença ou encaminhar os autos para o juízo que considerasse competente.
  
O advogado aguardou o julgamento solto e poderá recorrer em liberdade, porque foi condenado a cumprir pena em regime aberto. Acompanhe a movimentação do caso.
 
Entenda o caso
 
Segundo a denúncia do Ministério Público, os empresários assassinados, Rayder Rodrigues, de 39 anos, e Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, estavam envolvidos em estelionatos e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, nas quais eram movimentadas grandes quantias em dinheiro.
 
A promotoria alega que o garçom Adrian Gabriel Grigorcea foi o responsável por atrair o genro, Rayder Rodrigues, de 39 anos, ao apartamento de Frederico Costa Flores Carvalho. Frederico é apontado como o líder do Bando da Degola. O dono do imóvel e dois ex-policiais militares, André Bartolomeu e Renato Mozer, amarram e torturam Rayder para conseguir informações sobre contas bancárias das lojas dele.
 
O sócio de Rayder, Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, também foi levado ao apartamento. Ambos foram assinados no local. As vítimas ainda tiveram os dedos e cabeças cortados, para dificultar a identificação. Os corpos foram jogados em uma estrada em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH.
 
No dia seguinte, de acordo com o MP, os réus se reuniram para limpar a cena do crime e realizar um churrasco no apartamento. 
 
Condenações
 
O líder do bando, Frederico Flores, foi julgado em setembro de 2013 e sentenciado a 23 anos de reclusão por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáveres e formação de quadrilha. 
 
O ex-policial militar Renato Mozer e o estudante Arlindo Soares Lobo também já foram condenados a penas de 59 e 44 anos de prisão, respectivamente. O garçom norte-americano Adrian Gabriel Grigorcea foi condenado, em 14 de julho de 2014, a 30 anos de prisão por dois homicídios triplamente qualificados e formação de quadrilha. 
 
O pastor Sidney Eduardo Benjamim foi julgado em setembro do ano passado e sentenciado a três anos de reclusão em regime aberto. A médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, de 31 anos, foi condenada a 46 anos de prisão em regime fechado, mas recorre em liberdade.  O advogado Luiz Astolfo Sales Bueno era o único que ainda faltava a ser julgado.