“Onde o amor é perfeito, não existe lugar para o preconceito”. Com esse grito, uma multidão foi arrastada pelas ruas de Belo Horizonte, neste domingo (19), durante a Parada do Orgulho LGBT, que atingiu a maioridade neste ano. Cerca de 50 mil pessoas, segundo a organização, saíram da Praça da Estação rumo à Savassi.
 
A proposta do evento, que chama a atenção para a tolerância à diversidade, foi alcançada. Entre o público, era possível ver casais homo e heterossexuais, crianças e idosos. A harmonia entre os participantes foi um dos aspectos que mais chamaram a atenção da estudante Laysla Isabela Correia, de 19 anos.
 
Natural de Alfenas, no Sul de Minas, a jovem, que mora em BH, participou pela primeira vez da “Parada Gay” – como é mais conhecida. “Achei bastante organizado, não vi nenhuma briga e apenas poucas pessoas usando drogas”.
 
Aprovação
 
Para a estudante, a escolha de um local central para a concentração dos participantes é uma estratégia acertada, porque chama a atenção de todos que circulam por lá.
 
“O evento busca ter mais importância na luta contra a homofobia. Espero que as coisas mudem, realmente, porque eu não concordo com elas”, afirmou, referindo-se às manifestações de preconceito de alguns políticos brasileiros, a exemplo do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
 
Já o estudante Jefferson Teixeira, de 20 anos, mostrou-se menos otimista. Segundo ele, parece haver um boicote velado à participação da população nesses desfiles.
 
“Achei que veio menos gente neste ano, em relação a anos anteriores. O mesmo tem acontecido na Parada de São Paulo (a maior do Brasil)”, considerou Jefferson, que já acompanhou várias edições do evento na capital mineira. Apesar disso, ele é enfático ao resumir o resultado do evento: “tudo positivo”.
 
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Luta continua
 
Com o tema “18 anos colorindo as ruas e garantindo os nossos direitos”, a 18ª Parada do Orgulho LGBT propôs uma reflexão sobre as conquistas da comunidade LGBT desde 1997 e os obstáculos que ainda precisam ser enfrentados.
 
O bombeiro civil Anderson Isidório, de 32 anos, passava pelas imediações da Praça da Estação e resolveu parar para acompanhar a movimentação de longe. De acordo com ele, é bom ver tanta diversidade, principalmente, de forma organizada, sem bagunça.
 
“As pessoas serem felizes é o que importa. Acho que o movimento chama a atenção, mas, infelizmente, ainda não tem efeito de fazer com que os homossexuais sejam respeitados, porque vivemos em um país muito hipócrita”, lamentou.