O tráfico de drogas sofreu um duro golpe às vésperas do Carnaval. Em Pará de Minas, na região Central do Estado, a Polícia Federal (PF) apreendeu 430 quilos de pasta base de cocaína que estavam em uma aeronave que veio da Bolívia. Segundo os investigadores, a droga provavelmente seria distribuída durante a folia, quando a demanda tende a aumentar. A polícia agora investiga a possível atuação de uma quadrilha internacional também no Estado. 

Comercializado, o entorpecente poderia ter rendido cerca de R$ 7,7 milhões aos criminosos. O piloto da aeronave, um mato-grossense de 62 anos, admitiu ter cobrado R$ 20 mil para trazer o entorpecente da Bolívia. Porém, conforme o delegado Elster Lanoia de Moraes, o suspeito afirmou desconhecer quem seria o contratante do serviço.

Manobra arriscada

O carregamento poderia ter passado despercebido se o piloto não tivesse realizado manobras arriscadas durante a descida em um hangar do Aeroporto de Pará de Minas, por volta das 18h da última quarta-feira, chamando a atenção dos seguranças. O local é usado para pernoite de aeronaves e não é fiscalizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A polícia foi acionada porque foram avistados sacos de linhaça dentro do monomotor. 

Na perícia, descobriram que a aeronave era adulterada e irregular. A estrutura interna das asas foi alongada para comportar maior quantidade de combustível e aumentar a autonomia de voo. A droga estava distribuída em tabletes. Também foi localizado um quilo de folhas semelhantes a folhas de coca. 

O piloto chegou a fugir do aeroporto, mas foi preso na madrugada de ontem em um hotel perto da rodoviária de Belo Horizonte. Condenado, ele poderá responder por tráfico internacional de drogas e pegar pena de até 25 anos de prisão. 

A estimativa da Polícia Federal é que o quilo da pasta base cocaína custe em torno de R$ 18 mil; como foram apreendidos 430 quilos, o carregamento vindo da Bolívia poderia ser vendido a R$ 7,7 milhões no Brasil 


Ainda de acordo com o delegado Elster Lanoia, os proprietários do hangar foram ouvidos. Mas, como o espaço é alugado, a polícia acredita que eles não tenham participação no esquema criminoso. Não há pistas sobre os possíveis integrantes da quadrilha nem sobre o destino correto da droga. Ela, inclusive, poderia ser levada para outros Estados.

Os investigadores afirmam que ainda não há provas suficientes para fazer ligação dessa apreensão com outros crimes já descobertos. O delegado, no entanto, lembra que no ano passado foi deflagrada a Operação Saturno, após a apreensão de 430 quilos de cocaína que seriam vendidos em BH. O entorpecente estava em uma aeronave na divisa entre o Paraguai e o Mato Grosso. Na ocasião, nove pessoas foram presas em Minas, Paraná e Goiás.