Os adeptos do kefir, uma colônia de lactobacilos e leveduras aptos a fermentar, são quase unânimes em afirmar que os grãos, quando fermentados no leite, se tornam uma espécie de whey protein natural. Geralmente o whey protein é muito utilizado por atletas em busca da proteína do leite, o que favorece a recuperação mais rápida do músculo. 

Foi por causa da proteína do leite que a servidora pública Rafaella Rocha da Costa Assunção, de 28 anos, começou a fazer uso do kefir. Ela contou que há oito anos faz academia e sempre usou o whey protein industrializado. Rafaella disse que chega a pagar em um pote do produto importado até R$ 300. Quando ficou sabendo do kefir e que poderia economizar, resolveu fazer uso da bebida. "Por enquanto, estou usando o natural e o industrializado, porque não sei a quantidade ideal do kefir para substituir o whey protein. Estou pesquisando".

A doutora em saúde pública e nutricionista especialista em esporte Janaína Goston faz uma comparação da quantidade de proteína entre um produto e outro. Segundo ela, seria necessário consumir 1 litro de kefir para atingir 1 copinho de 25g de whey protein. "Mesmo assim, a absorção não seria igual", explica. Ela explica que, no caso do Kefir, a proteína do leite está misturada com carboidratos e gorduras, o que torna a absorção mais lenta. Já o whey protein, que possui a proteína isolada do soro do leite, proporciona uma síntese muscular superior. "A recuperação do músculo é melhor", conclui.  

Para ela, a principal vantagem do kefir é o fortalecimento do sistema imonológico. Janaína Goston relata que muitos atletas costumam fazer uso de probióticos cerca de três meses antes de uma competição e depois dela para criar um ambiente fortalecido de bactérias boas. “Isso porque o estresse gerado pela competição pode afetar a imunidade, o que favorece o aparecimento de doenças oportunistas como infeções de urina, por exemplo”, explica. 

Segundo ela, o uso de probióticos é uma estrátégia barata para manter o sistema imunológico fortalecido. "Basta uma regularidade de cerca de 100 ml por dia", afirma. Ela sugere até misturar o kefir com iogurtes que têm um maior número de probióticos. Assim, a bebida fica ainda mais eficiente.

A melhora do sistema imonológico é o resultado que a bebida proporcionou à secretária Morgana Pires, uma das administradoras do grupo “Kefir - Corrente do Bem - Brasil”, no Facebook. Ela disse que usa o produto há um ano e meio. "Percebi uma melhora no intestino quase que imediata", conta. 

A servidora pública Silviane Teixeira, de 40 anos, descobriu o kefir por causa da dieta low carb, com redução de carboidratos, que faz. Em busca de um produto saudável e menos calórico, ela leu a respeito dos grãos. Começou então a fazer buscas em sites e grupos à procura da doação dos microorganismos. Essa é a forma de se conseguir o produto, que não é comercializado. 

Após dois meses de uso, Silviane diz que sente uma melhora no aparelho digestivo."Não tomo mais remédio para dor de estômago ou azia, e antes tomava todo dia. E a minha pele está bem melhor", conta. Ela disse que o uso do kefir também está associado a uma alimentação mais saudável, com menos produtos industrializados e menos ingestão de açúcar. 

O clínico geral Frederico Lobo, sócio da Associação Brasileira de Medicina Complementar, afirma que seriam necessárias muitas pesquisas para comprovar todos os beneficios do kefir. E que ele deve ser usado como alimento, não como remédio. O médico também faz um alerta. “É preciso ter muito cuidado no preparo do produto”, diz. Ele destaca que os vasilhames devem ser esterelizados e que o vidro para armazenar o kefir deve ser coberto para afastar possíveis insetos. Uma forma, segundo ele, de afastar a contaminação e ter um alimento saudável. Alguns pacientes, segundo o médico, relataram azia e diarreia.

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História

São várias as histórias sobre o surgimento dos grãos do kefir, que tem consistência gelatinosa e sabor agridoce. Uma das mais contadas é que os grãos surgiram há quatro mil anos. Na internet, vários sites e grupos oferecem o alimento gratuitamente. 

Quem recebe os microorganismos fica responsável pela alimentação deles, que pode ser o leite, ou o açúcar mascavo quando a fermentação se der na água. Ele deve ficar sempre em temperatura ambiente e local escuro. Há divergências sobre a possibilidade de congelar o alimento por seis meses e depois reutilizá-lo. Alguns nutricionistas afirmam que, durante esse processo, alguns microorganismos podem morrer.

Basicamente o Kefir contém: 8 leveduras, 2 bactérias acéticas, cerca de 16 lactobacilos, cerca de 9 streptococci/lactococci, ácido fólico, ácido pantotênico, biotina(vitamina B), cálcio, carboidratos, fósforo, gordura, lactase, magnésio, niacina (vitamina B3), potássio, proteínas, pyridoxina (vitamina B6), triptofano, vários outros aminoácidos benéficos, vitamina B12, vitamina K. Podem, no entanto, haver outros microorganismos. 

Modo de preparo:

Em água: Adicione de 2 a 4 colheres de sopa com grãos de kefir em um litro de água na temperatura ambiente. Coloque 3 colheres de sopa de açúcar mascavo, rapadura moída ou melado de cana de boa qualidade.Coe e armazene em recipiente de plástico ou vidro, na geladeira.  

No leite: Adicione de 2 a 4 colheres de sopa com grãos de kefir em um litro de leite na tempratura ambiente. Não há necessidade de se adicionar açúcar mascavo ou equivalente ao leite. Ele já tem o seu açúcar próprio, conhecido pelo nome de lactose. Coe e armazene em recipiente de plástico ou vidro, na geladeira. 

O recipiente pode ser de vidro ou plástico de boa qualidade. Deixe uma saída de ar, pois na fermentação haverá a expansão de gás carbônico, cubra com pano e prenda com um elástico. Deixe em local escuro e na temperatura ambiente durante 10 a 40 horas. Nunca utilize alumínio ou ferro em nenhuma das etapas. 

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