Enfrentando uma grave crise financeira há mais de um ano, o Hospital Sofia Feldman, na região Norte da capital, poderá ter um alento em breve. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) propôs aumentar a verba repassada à maternidade, considerada a maior em número de partos no país, e a buscar mais investimentos junto ao Ministério da Saúde.

O acordo do reforço prometido pelo Executivo deverá ser concretizado na próxima semana. O valor a ser destinado, porém, não foi divulgado. Após a assinatura do contrato, a quantia deverá ser disponibilizada em até 30 dias. Atualmente, a unidade recebe recursos mensais que somam R$ 4,5 milhões. Do montante, 87% são da União, 12% do governo do Estado e menos de 1% da PBH. 

A quantia, porém, não é suficiente para arcar com os custos do Sofia Feldman, que realiza todos os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O déficit a cada 30 dias chega a R$ 1,5 milhão.

A expectativa é a de que o novo repasse da prefeitura e a esperança de mais verba por parte do governo federal ajudem a normalizar a situação. Além disso, a diretoria se compromete em otimizar e reduzir gastos.

A proposta, apresentada ontem em reunião entre o prefeito Alexandre Kalil, o secretário de Saúde, Jackson Machado, e integrantes do Conselho Municipal de Saúde agradou aos representantes da diretoria do Sofia Feldman.

“Foi um bom acordo. Teremos mais tranquilidade para trabalhar sabendo que não vamos precisar reduzir funcionários nem fechar as portas”, explicou o diretor técnico e administrativo da maternidade, Ivo Lopes.

Em novembro, a PBH chegou a assumir a administração do banco de leite da maternidade; no início deste ano, o Executivo chegou a fazer uma proposta de gerenciar a parte financeira do hospital, mas a ideia foi descartada pela instituição de saúde

Organização

Referência em atendimento humanizado às gestantes e bebês e em procedimentos de alta complexidade, o Sofia Feldman realiza cerca de mil partos por mês. A instituição conta com 185 leitos.

Além de atender grávidas de BH, o hospital recebe pacientes de outros 300 municípios. Na tentativa de dar um alívio à unidade, bazares são promovidos por voluntários. Associações também têm doado materiais para a instituição.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que várias ações tem sido adotadas para garantir a continuidade dos serviços prestados. A pasta diz que tem priorizado a liberação de recursos para o hospital. Conforme a SES, em março de 2018 foi repassado mais de R$ 1,3 milhão e, em maio, cerca de R$ 730 mil. Já o Ministério da Saúde foi procurado, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

(*Colaborou Tatiana Lagôa)