O aparecimento da acne na adolescência é o retrato de que algo está mudando nos hormônios, afinal, é uma fase de pleno desenvolvimento. Nas meninas, é o período em que o ciclo menstrual se inicia e a produção dessas substâncias nos ovários estimula a pele a produzir oleosidade, causando espinhas.

Quando o problema ressurge na idade adulta, ou até mesmo aparece pela primeira vez neste momento da vida, é um indício de maior oleosidade na pele e, muitas vezes, de desequilíbrio hormonal.

Depois que o ciclo menstrual já se regularizou em definitivo, por volta dos 18 anos, a acne tende a desaparecer naturalmente. No entanto, o problema pode persistir ou mesmo reaparecer após os 25 anos, caracterizando a chamada acne da mulher adulta.

“A gente sabe que, durante o período menstrual, devido à descarga hormonal, é comum ter uma ou outra acne. O problema é quando isso acontece durante todo o tempo. São espinhas que aparecem de forma mais avançada, inflamada”, observa o dermatologista Bruno Vargas.

“O tratamento da acne da mulher adulta é um processo mais longo e o controle do problema é contínuo. Em certos períodos, ela vai aumentar por fatores como uma alimentação não balanceada, por exemplo”
Bruno Vargas
Dermatologista

Detecção

Nessa fase da vida da mulher, a acne irão despontar na região do mento (parte inferior dos lábios) e das mandíbulas, podendo surgir também no pescoço, costas e colo, onde há grande concentração de glândulas sebáceas.

Ao primeiro sinal de persistência de espinhas nestes locais, procurar um especialista é o mais indicado, já que é preciso tratar não somente as inflamações e a parte estética, mas, principalmente, as causas do problema.

“É muito importante ter uma avaliação de como estão os hormônios, fazer uma revisão por exames laboratoriais e de imagem, como um ultrassom dos ovários. Se houver uma quantidade maior de hormônio masculino (testosterona), por exemplo, a mulher apresentará, também, problemas de oleosidade no couro cabeludo, como a seborreia”, destaca o médico.

Dermatologista Bruno Vargas

“Sugiro um tratamento multidisciplinar do dermatologista em parceria com o ginecologista e até com um endrocrinologista”, indica Bruno Vargas

Uma outra situação da saúde da mulher, que é a mais frequente causa de espinha na idade adulta, é a Síndrome dos Ovários Policísticos, um distúrbio hormonal que gera aumento no tamanho dos ovários, com pequenos cistos na parte externa deles. 

Caso a bateria de exames não detecte quaisquer problemas que tenham levado àquele quadro de acne, é um indício de que os receptores na pele da mulher são mais sensíveis que o comum ao hormônio masculino. 

Tratamento

Assim que o médico descobrir as causas da acne na idade adulta, o tratamento pode ser iniciado. De forma muito eficaz, o bloqueio dos hormônios é um dos métodos mais usados.

“Isso é feito com o uso de anticoncepcionais que tenham progesterona na fórmula. Essa substância é antiandrogênica e ajuda a barrar o receptor do hormônio”, explica Bruno Vargas.

A acne na idade adulta é mais comum nas mulheres, em função da variação hormonal; nos homens, quando acontece, pode estar ligada ao uso de hormônios para crescimento muscular, aponta Bruno Vargas

Para aquelas mulheres que, por algum motivo, não podem consumir as pílulas, há a opção de barrar a ação do hormônio com um diurético chamado espironolactona que, na dermatologia, é comumente utilizado para este fim.

De uso tópico, é recomendado o filtro solar de toque seco, uma vez que a radiação estimula a glândula sebácea a produzir oleosidade e, por consequência, a acne. Além disso, é importante uma rotina de higiene com sabonete para pele oleosa e a utilização de produtos à base de antibióticos prescritos.

Período ideal para tratar da pele é o que permite repouso

Muitas pessoas pensam que o inverno é única época em que tratamentos de pele com o uso de ácidos podem ser feitos. No entanto, especialistas apontam que esse tipo de cuidado, muito indicado para eliminar a acne da face, pode ser tomado durante todo o ano, desde que respeitado o tempo de recuperação.

“Na época do frio, as pessoas se expõem menos ao sol, não viajam, às vezes estão de férias e podem estar em repouso. Tratamentos de pele necessitam de um tempo de descanso, mas isso independente da estação do ano, isso deve acontecer de acordo com a disponibilidade de cada um”, expõe o dermatologista Bruno Vargas.

As baixas temperaturas e a radiação solar menos intensa são realmente mais seguras para o uso de ácidos em concentrações mais elevadas. Porém, conforme a biomédica da Adcos BH, Eidi France, os dermocosméticos podem e devem ser usados durante todo o ano.

“Os produtos não são tão sensíveis à radiação solar, não há uma restrição. É importante buscar o tratamento diário, como os cuidados de higiene da pele e hidratação, que deve acontecer sempre. Precisamos lembrar que não envelhecemos somente em uma época do ano”, coloca Eidi, ressaltando que, no inverno, como a pele tende a ficar mais seca, as pessoas fazem uso de hidratantes com maior frequência.