Os luxuosos restaurantes de chefs internacionais não são mais os únicos redutos da alta gastronomia. A culinária elaborada passou a fazer parte do circuito cultural de uma grande parcela da população e está mais acessível a todos, seja através de programas de televisão, feiras gastronômicas ou iniciativas independentes de baixo custo.

Para o representante da escola de gastronomia francesa Le Cordon Bleu, Murilo Rodrigues, a popularização da culinária é um dos principais fatores que impulsionaram o crescimento do ramo gastronômico no país. “A expansão desse mercado de produtos ‘gourmetizados’ é um movimento positivo porque aproxima as pessoas da cozinha”, conta.

Rodrigues, que responde por uma das grandes instituições de culinária mundiais, foi convidado pela Faculdade Promove, de BH, para conversar, ontem, com alunos do curso de gastronomia sobre a atuação do profissional e o mercado brasileiro. Ele enfatiza a importância das graduações para a expansão da área em Minas Gerais.

A chef mineira Maria Thereza Alkmim, dona da confeitaria Leclanté, que produz doces finos para casamentos, estudou na escola francesa e voltou para BH para abrir o próprio negócio. “Identifiquei um mercado que tinha espaço aqui, que é o de cozinha para eventos, e investi em doces com receitas que fogem do convencional”.

Ela afirma que o cenário de gastronomia da cidade passou por uma melhora expressiva desde a inauguração da patisseria, em 2012. “Quando comecei na área não tinha acesso a ingredientes essenciais para os pratos, como chocolate belga. Agora encontro com facilidade. A gastronomia em Minas está em alta”.

A popularização da cozinha fez com que muitas pessoas que nunca pensaram em trabalhar na área pudessem ver o mercado culinário como uma realidade e passaram a procurar por especializações. Dayse Imaculada Batista, estudante de gastronomia do Promove, destaca que a inovação é um dos principais pontos aplicados ao longo das aulas.

Assim como Maria Thereza, a futura chef é estimulada a criar pratos autorais. Em uma atividade no curso, a turma preparou uma releitura do prato Lampião e Maria Bonita, que é feito, tradicionalmente, com feijão branco e dobradinha. “Substituímos o feijão por tremoço e também recriamos o doce Romeu e Julieta”. No lugar da goiabada, os alunos utilizaram o mangostim, uma fruta de origem asiática, combinado com ricota.

“A possibilidade de inserção profissional no mercado gastronômico é cada vez maior”, afirma Maria Thereza. A chef destaca a importância de promover o acesso de diferentes camadas da população a cursos superiores da área. “Assim, as empresas do ramo oferecem mais empregos e conseguem contratar uma mão de obra especializada para desenvolver um trabalho de qualidade”.

“Quantos momentos especiais não acontecem ao redor de uma mesa? Um pedido de casamento ou um jantar de aniversário estão relacionados à comida” (Murilo Rodrigues, representante da Le Cordon Bleu no Brasil)