Pelo menos dois adolescentes foram internados com suspeita de febre maculosa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, depois de terem sido picados por carrapatos durante um passeio com a turma da escola pelo Parque Nacional da Serra do Cipó, na região Central do Estado.

Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SEE), os estudantes já foram medicados e tiveram alta. O resultado dos exames de sangue dos jovens para confirmar ou descartar a doença deve sair até o fim desta semana. Causada por uma bactéria e transmitida pelo carrapato-estrela, a febre maculosa é uma doença que pode levar à morte. O tratamento se dá por meio de antibiótico e, quanto antes o medicamento for usado, maiores são as chances de recuperação do paciente.

Na quinta-feira (7), um grupo de cerca de 40 estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Cecília Meireles, no bairro Laranjeiras, em Betim, visitou o parque para um projeto de geografia. Os alunos andaram cerca de duas horas para chegar ao local de estudo e retornaram no fim da tarde. Ao chegarem ao ônibus, vários alunos perceberam que haviam sido picados por carrapatos.

No dia seguinte, alguns adolescentes relataram vômito, dor de cabeça, febre e manchas pelo corpo, sintomas que podem ser relacionados à febre maculosa. Houve quem sentiu os sintomas durante o fim de semana.

Na segunda-feira (11), um bilhete foi entregue aos alunos, endereçado a pais e responsáveis, solicitando que fossem feitos exames de sangue nos jovens que participaram da visita ao parque, pois dois casos de febre maculosa já teriam sido confirmados laboratorialmente no Estado. Confira:

bilhete carrapato betim

Bilhete entregue aos alunos na segunda (11)

Secretarias de Estado de Saúde e Educação garantem que não houve registro de febre maculosa na região da Serra do Cipó, informação reiterada pela prefeitura de Santana do Riacho, município onde está o Parque Nacional. Em 2018, sete casos da doença foram registrados no Estado, nas cidades de Caratinga, no Vale do Aço, Bicas e Tombos, na Zona da Mata, São Gotardo, no Alto Paranaíba, Paraisópolis, no Sul de Minas, e Itabira e São Domingos do Prata, na região Central. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, foram registrados 34 casos de febre maculosa em Minas em 2017, sendo que 18 deles evoluíram para a morte.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestor do parque, informa que os visitantes assinam um Termo de Riscos e Normas alertando que eles estão em uma unidade de conservação, um ambiente natural, sujeitos a algumas adversidades. O ICMBio confirmou que não há registro da doença no parque.

Preocupação

De acordo com Hilton Alves, pai de uma aluna de 17 anos que passou mal após as picadas, o bilhete provocou pânico entre alunos e responsáveis. “Os alunos foram dispensados mais cedo e um grupo andou cerca de dois quilômetros até a UPA Teresópolis. Os adolescentes ficaram lá por muito tempo, mas não foram atendidos”, relata. “Tem gente que está buscando fazer esse exame em laboratório particular”, completa.

A Secretaria de Saúde de Betim informa que os estudantes foram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Teresópolis e foram orientados pela equipe de plantão a procurarem a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para receberem atendimento médico. De acordo com a orientação do Ministério da Saúde, nas UPAs são realizados atendimentos mediante à classificação de risco, onde os casos de urgência e emergência têm prioridade. Casos de picadas de carrapatos devem ser atendidos na UBS.

Segundo a SEE, a diretoria da escola também entrou em contato com todos os responsáveis dos alunos que participaram da atividade para saber a situação de cada um e para orientar sobre a necessidade de procurar um posto médico, caso o aluno apresente algum sintoma, como medida preventiva.

De acordo com a SEE, já foram realizadas atividades de campo como essa em outros locais com outras turmas da escola e que o coordenador do projeto realizou o procedimento padrão de contato prévio e orientações para visita com a coordenação do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Prevenção

Nesta quarta (13), a Secretaria de Saúde publicou um texto sobre a importância de se prevenir contra a febre maculosa no período mais seco do ano. No alerta, a coordenadora de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Mariana Gontijo de Brito, explica que a doença tem sido registrada não somente em áreas rurais, como também em regiões urbanas. “Em Minas Gerais, a principal espécie de carrapato envolvida na transmissão da febre maculosa brasileira é o Amblyomma scultum. Eles podem ser encontrados em equídeos, roedores, capivaras, marsupiais, cães e outros animais”, diz.

Ela alerta ainda que a população de carrapatos aumenta em determinada área, em razão da disponibilidade dos animais hospedeiros e de condições ambientais favoráveis, como presença de pastos “sujos” e vegetação favorável ao crescimento e reprodução do carrapato. Diante de contato com áreas favoráveis à presença dos artrópodes, a recomendação é que inspeções no corpo sejam realizadas em intervalos curtos de tempo, pois quanto antes os carrapatos forem identificados e retirados do corpo, menor a chance de transmissão da doença.

Caso a identificação e retirada do carrapato não seja possível, é preciso estar atento aos primeiros sintomas da febre maculosa, pelo fato de a doença ter uma alta letalidade. Ela se manifesta de forma aguda por meio de sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, mal estar, náuseas e vômitos. Pode ocorrer uma erupção cutânea, frequentemente com pele escurecida ou incrustada no local da picada do carrapato.

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