A cada 24 horas, nada menos que 12 ocorrências de vandalismo são registradas em Belo Horizonte. A média foi elaborada com base nas estatísticas de danos ao patrimônio e pichações, anotadas pelas forças de segurança do Estado, nos primeiros sete meses deste ano. O mais novo estrago registrado na capital mancha uma exposição pública com imagens históricas do conjunto moderno da Pampulha.

A admiração ao traço curvo e engenhoso de Oscar Niemeyer, retratado em fotos coloridas e em preto e branco, dá lugar à indignação. Quarenta e um dos 50 painéis instalados ao ar livre nas grades do Parque Municipal, na região Central, foram vandalizados. Mais do que a pura e gratuita depredação, o ato é considerado um desrespeito à maior conquista recente da história da capital mineira.

Há pouco mais de um mês, a Pampulha recebeu o título de patrimônio cultural da humanidade. A exposição, em um local apontado como vitrine da metrópole, por onde circulam diariamente milhares de pessoas, integrava as comemorações da chancela internacional. 

Ontem, a Justiça negou a liberdade para o homem acusado de pichar a Igrejinha da Pampulha em março deste ano

Cada painel mede 1,50m por 1,80m. Dos 41 danificados, 18 estão rasgados, sete foram arrancados e 16 pichados. A exposição foi iniciada em 25 de julho e deveria durar até 30 de outubro. Porém, só foi contemplada por quem passa a pé pela região por apenas 38 dias.

A mostra é uma iniciativa da Fundação Municipal de Cultura (FMC) e custou aos cofres públicos R$ 30 mil. As imagens, do fotógrafo Marcílio Gazzinelli, constavam no dossiê da candidatura do conjunto moderno, entregue à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Para o presidente da FMC, Leônidas Oliveira, o sentimento é de tristeza. “A exposição estava sendo admirada por todos que ali passavam”, resume.

Para ele, é preciso um amplo processo de conscientização para a convivência harmônica entre a arte e as pessoas. Oliveira cita um projeto de educação patrimonial com dez mil estudantes de escolas públicas da cidade, que está em andamento. Apesar do sucesso da exposição, não há previsão de reparos ou substituição dos materiais danificados. 

A Polícia Militar foi procurada e questionada sobre a prevenção e o combate aos atos de vandalismo. No entanto, o capitão Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa, informou apenas que a corporação faz um trabalho voltado para a educação. Ele citou o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que atua com estudantes. Segundo o oficial, a segurança do Parque Municipal é de responsabilidade da Guarda Municipal.

De janeiro a julho deste ano, foram registrados 2.589 atos de vandalismo em Belo Horizonte, conforme estatísticas da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds)

Já a Guarda informou, em nota, que tem adotado ações preventivas por meio de patrulhamento e, quando há uma ocorrência na cidade, a intervenção é imediata.

Conforme o texto, as imagens das câmeras do Olho Vivo “não alcançam o local em que os painéis estão expostos”. Ainda conforme o órgão, a adoção das medidas preventivas será mantida e intensificada na região.

(Com colaboração de Paula Coura e Leonardo Parrela)