O projeto de montar uma empresa destinada à fabricação de papinhas e refeições orgânicas para crianças de 6 meses a 3 anos, idealizado por três estudantes belo-horizontinas, será apresentado na Feira Nacional de Empreendedorismo do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), em Londrina, no Paraná, no próximo dia 28. O evento é visto por elas como um degrau na busca pelo patrocínio do sonho, ainda no papel por falta de recursos. 

O plano de negócios das companheiras de sala do curso técnico de assistente administrativo Thayrine Dias, de 23 anos, Olívia Santos, de 27, e Talita Jardim, de 24, está entre os 69 finalistas de um grupo de mil concorrentes no país. Para viabilizar o negócio, o trio precisa de aproximadamente R$ 84 mil. 

“O que propondo é uma empresa com alimentos 100% orgânicos e com embalagens livres de BPA. É um negócio promissor porque os pais estão sempre correndo, sem tempo para cozinhar e não encontram alimentos saudáveis para os filhos facilmente”, afirma Thayrine. 

“A feira de empreendedorismo premia os estudantes que apresentam a melhor opção de negócio. O primeiro lugar ganha um prêmio de R$ 2.500 e o segundo, de R$ 1.500”
Rosângela Lacerda
Coordenadora pedagógica do Cebrac Belo Horizonte 

Demanda

Em uma pesquisa de mercado, as estudantes notaram a crescente preocupação dos pais em manter uma alimentação livre de agrotóxicos para os filhos. 

Inicialmente, elas propõem um cardápio com cerca de 200 sabores de alimentos, incluindo doces e salgados.

A ideia é iniciar o negócio com uma equipe pequena e, à medida em que houver aumento das vendas, contratar mais pessoas. As jovens, inclusive, frequentaram cursos de empreendedorismo, de olho na qualificação.

Tendência

Com o desemprego gerado pela crise, foi registrado um aumento do número de pessoas que buscam abrir o próprio negócio, assim como o trio de estudantes. 

Uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), feita pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor), mostrou que quatro em cada dez brasileiros adultos já possuem um negócio próprio ou estão em vias de criar uma empresa. 

Números notados no mundo acadêmico. A coordenadora pedagógica do Cebrac Belo Horizonte, Rosângela Lacerda, explica que a procura por cursos focados no mercado de trabalho e no empreendedorismo estão em alta. “Temos alunos que nos procuram porque querem montar empresas e outros que pretendem se reposicionar no mercado”, conta. 

Nesse contexto, a participação em feiras de negócios, como a que as estudantes belo-horizontinas são finalistas, pode ser uma oportunidade para tornar o sonho de empreender em realidade. “É o momento em que os alunos colocam as ideias no papel para depois correrem atrás da viabilização”, afirma.