Apesar de classificada por ciclistas como pouco preparada para receber esse tipo de projeto, a capital vai ganhar estações de bicicleta de uso compartilhado. Trata-se de algo semelhante ao que existe no Rio de Janeiro, ao longo da orla. O problema é que Belo Horizonte ainda não tem acesso em grandes vias de ligações entre os bairros, o que dificulta o uso das bicicletas em larga escala.

“É uma boa iniciativa, mas BH ainda não tem estrutura para colocar em prática, de fato, esse tipo de novidade. As vias não estão preparadas para receber os ciclistas”, afirma o coordenador do grupo Giro 30, Rogério Pacheco. A previsão é a de que sejam construídas, no mínimo, 30 estações, com 360 bicicletas ao todo. A BHTrans já identificou 65 locais aptos a receber as estações, conforme publicado ontem no Diário Oficial do Município.

Porém, a empresa que vencer a concorrência escolherá onde construir, de acordo com as regiões pré-definidas: Centro, Barreiro, Belvedere, Pampulha, Gutierrez ou Prado. O valor do uso das bicicletas compartilhadas também já foi estipulado. Quem optar pelo pagamento de um dia vai desembolsar R$ 3. O valor mensal é R$ 10 e o anual, R$ 60.


Contraponto
 
Investir na oferta desse tipo de meio de transporte, e não na estrutura para que ele possa ser viabilizado, pode deixar o projeto obsoleto. “Não adianta só ter uma estação de bicicletas no BRT, por exemplo. Se não tiver como a pessoa se deslocar para outro lugar, ela não vai usar o serviço”, alega Pacheco.

A empresa escolhida para implantar o projeto vai ser conhecida no dia 7 de outubro. Além da criação, disponibilização e manutenção dos equipamentos, a prestação de serviço ainda inclui cadastro de usuários, controle eletrônico da retirada, devolução e pagamento.

O valor de outorga a ser pago pela empresa ganhadora da licitação será empregado em sinalização, preferencialmente em rotas com ciclovias.