A fim de compartilhar experiências com leitores com dificuldades de locomoção, a mineira Laura Martins, de 45 anos, criou o blog “A cadeira voadora”, uma espécie de diário de bordo que fala da acessibilidade – ou a falta dela – em cidades brasileiras e do exterior.
 
O espaço foi lançado há cerca de cinco anos com o objetivo de incentivar as pessoas a utilizarem a cadeira de rodas como um instrumento de libertação, capaz de “remover” montanhas, como ela mesma diz. Nesse período, a blogueira passou por Lisboa, Paris, Nova Iorque, Buenos Aires, Curitiba, São Paulo, Londres, entre outros destinos.
 
“A cada viagem, a gente expande os horizontes, entra em contato com um modo diferente de ver o mundo. Testa os limites, aprende mais sobre si mesmo e volta muito enriquecido. Pensando nisso, surgiu o desejo de motivar outros cadeirantes a enfrentarem os desafios e saírem de casa”, conta Laura.
 
Potencial
 
A ideia de dividir experiências com os leitores deu tão certo que, hoje, muitos enviam mensagens pedindo dicas e relatando as próprias dificuldades durante passeios. Alguns textos recebidos foram publicados no blog, que ganhou colaboradores ao longo do tempo.
 
Segundo Laura, a iniciativa vem rendendo muitos retornos, o que é motivo de satisfação para ela. “Sempre recebo mensagens de cadeirantes e familiares contando como o blog os motivou a viajar e como facilitou o processo. Recebo também mensagens de pessoas sem deficiência que indicaram meu blog em sites, a fim de multiplicar o alcance da proposta”, relata.
 
Recentemente, as publicações dela renderam até menção na fanpage do Oceanário de Lisboa, que destacou um texto dedicado às crianças cadeirantes.
 
Obstáculo
 
Aos cinco anos, Laura Martins recebeu o diagnóstico de mielite transversa, doença neurológica causada por um processo inflamatório na medula espinhal. Na época, ela vivia em Itabira, na região Central de Minas. Depois de passar três dias sentindo fortes dores nas pernas e na garganta, o médico chegou à conclusão de que se tratava de “manha de criança”. Três dias depois, ela perdeu o movimento das pernas.
 
Trazida para BH, ficou seis meses internada e, ao fim desse período, já estava adaptada ao aparelho ortopédico e às bengalas.
 
Hoje, ela se autointitula “anfíbia”, já que utiliza tanto cadeira de rodas quanto muletas para se locomover.
 
Cidades pelo mundo já avançaram em acessibilidade
 
A blogueira Laura Martins conta que, hoje, é possível notar que muitas cidades já oferecem acessibilidade, mesmo que seja parcial. “Temos muitos desafios a enfrentar no transporte, seja rodoviário ou aéreo, mas a situação só melhora quando protestamos e reivindicamos um tratamento digno e igualitário”.
 
Dentre os locais visitados por Laura, ela destaca São Paulo e Nova Iorque. Na capital paulista, equipamentos culturais e de lazer são adaptados; em Manhattan, há calçadas rebaixadas, estações de metrô e de ônibus com adaptações e várias atrações acessíveis.
Por outro lado, cidades históricas brasileiras e de interior ainda pecam na receptividade aos cadeirantes.