Em 1996, o bairro de Santa Tereza, Leste de Belo Horizonte, a zona boêmia da capital mineira, ganhou uma importante ferramenta para proteger seu patrimônio histórico e cultural: a definição, por lei, da Área de Diretrizes Especiais (ADE) do bairro. Por meio dela, foram inventariados diversos imóveis, que, atualmente, passam por estudo e devem, num futuro próximo, ser tombados.

A antiga casa da rua Alvinópolis, altura do número 460, por exemplo, fundada em 1930 para brigar uma loja de artigos para pesca, está protegida na instância municipal há pouco mais de 30 dias. O processo de tombamento foi concluído após iniciativa do proprietário do imóvel.

PRESENTE

“Meus pais moram e mantém o Bar do Orlando há mais de 30 anos e agora fomos presenteados com o tombamento do imóvel”, comemora Orlando Júnior de Siqueira, 22 anos, filho do dono do bar e morador da casa dos fundos, no mesmo lote do imóvel protegido. A casa é alugada pela família.

No dossiê de tombamento do imóvel, localizado em frente à Praça Ernesto Tassini, o motivo da proteção por parte da Diretoria de Patrimônio Cultural de BH (DIPC) fica claro: “A edificação integra, indubitavelmente, o patrimônio do bairro Santa Tereza, que mantém elementos da ambiência urbana, vinculados ao modo de vida nos bairros pericentrais, cuja preservação seria necessária à manutenção das identidades locais e o patrimônio edificado destes bairros, vinculado ao cotidiano e aos modos de mora”.

BOÊMIOS

Para o professor da Faculdade de Arquitetura da UFMG, presidente do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (Ieds), ONG que atua na preservação do patrimônio de BH, Leonardo Barci Castriota, o reduto dos boêmios na cidade é, de maneira geral, um dos bairros que mais valoriza a conservação patrimonial. “Preservar é cuidar não só dos imóveis tombados, excepcionais. É preservar o conjunto, a ambiência. É é o que se vê naquele local”, disse.