O metrô de Belo Horizonte estreou um novo trem nesta semana, mais moderno e confortável, porém as atenções da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) ainda estão no passado. Técnicos da empresa avaliam a adoção de uma borracha nas estações para reduzir o vão na área de embarque e desembarque. O motivo: ajustes no sistema deixaram as composições antigas ligeiramente mais afastadas das plataformas, elevando o risco de acidentes com os passageiros.


Até então, segundo Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindmetro-MG), os espaços variavam entre 5 e 10 centímetros. Com as adaptações exigidas para a circulação simultânea das novas composições, as distâncias giram, agora, entre 15 e 20 centímetros. As estações mais críticas são aquelas em curva, a José Cândido da Silveira e a São Gabriel.


“Esse foi um ajuste necessário devido à trepidação da suspensão das novas composições, que são mais leves”, explica o vice-presidente do Sindmetro, Romeu José Machado Neto.
Segundo ele, a CBTU analisa a implantação de uma borracha de material flexível na lateral das plataformas. Assim, quando o trem novo, que é centímetros mais largo, chegar ao local, a estrutura se recolheria como uma espécie de “sanfona”. “Os estudos estão sendo elaborados na tentativa de identificar o melhor material e empenho. Os testes dinâmicos ainda estão no início”, reforçou.


PERIGO


Embora normas internacionais de segurança ferroviária indiquem que o limite máximo do vão entre plataforma e trem seja de 30 centímetros, a preocupação da CBTU é evitar ocorrências como a registrada em março deste ano, quando uma idosa de 79 anos morreu em um acidente na Estação José Cândido da Silveira. Ela teve as pernas esmagadas ao escorregar no vão da plataforma.


Depois do episódio, a CBTU reforçou os alertas sobre os vãos nas plataformas, com adesivos nas composições, alertas sonoros, além de reforço na segurança com o objetivo de chamar a atenção dos passageiros.


Outra medida em teste pela companhia é a implantação de câmeras de vigilância nos trens antigos. Assim, o maquinista poderá visualizar com mais eficiência o embarque e o desembarque. O controle é feito atualmente por meio de espelhos.


“Esse espaço gera insegurança no momento do embarque e desembarque. Em horário de pico, essa distância pode representar ainda mais perigo” Cássia Ornellas, 42 anos, funcionária pública