O Brasil é o segundo país das Américas com mais casos de sarampo confirmados neste ano, com 114 confirmações, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Só em Roraima, foram registrados 84, dos quais 58 atestados em venezuelanos (69% do total).

E é justamente a Venezuela que lidera o ranking entre aqueles que reportaram a doença. O surto foi confirmado em 17 dos 23 estados do país caribenho, além da capital.

Neste ano, os venezuelanos tiveram 84% (1.427 ) dos casos de sarampo e 35 mortes desde meados de 2017. Entre os fatais, 33 correspondem ao estado de Delta Amacuro, no leste do país. Com isso, só nos cinco primeiros meses de 2018, já são duas vezes mais casos que em comparação com todo o ano passado. 

"São 11 os países que notificaram 1.685 casos confirmados de sarampo na região das Américas", aponta o estudo da Opas, divulgado neste sábado (9). 

Nos países fronteiriços, como Brasil e Colômbia, e em outros próximos como Equador, boa parte dos contagiados são pessoas vindas da Venezuela.

Na Colômbia, foram confirmados 26 casos da doença, dos quais 17 foram "importados" (65%). Além disso, "sete casos são de transmissão secundária em pessoas procedentes da Venezuela e residentes na Colômbia há mais de quatro meses", acrescenta o relatório.

No Equador, a prevalência se mantém. Dos 12 infectados, 10 são venezuelanos (83%).

Ante as contínuas importações do vírus, a Opas insta os países a "vacinarem para manter coberturas homogêneas de 95% com a primeira e segunda doses da vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, em todos os municípios".

A doença viral é altamente contagiosa e pode ser prevenida com vacinas. Na Venezuela, no entanto, que está mergulhada em uma crise econômica aguda, existe 85% de escassez de medicamentos básicos e até 95% de alguns fármacos para tratar condições crônicas, segundo a Federação Farmacêutica.

Em 6 de abril, o governo empreendeu um plano de vacinação contra 14 doenças, entre elas sarampo, tuberculose e difteria.

(*) Com AFP