A venda de uma mansão avaliada em R$ 2 milhões pela bagatela de R$ 600 mil no Mangabeiras, região Centro-Sul de Belo Horizonte, é só um exemplo do quanto o crime de estelionato tem sido frequente. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontam que, em média, 23 golpes são cometidos diariamente na capital. 

O número de ocorrências, no entanto, pode ser maior já que muitas vítimas não prestam queixa. O advogado Guilherme Marinho, especialista em direito criminal, explica que o contexto desse crime geralmente tem como alvo pessoas que esperavam obter grandes vantagens financeiras.

Ele explica que, ao descobrir que foi vítima de uma fraude, a pessoa se sente constrangida e acaba optando por não fazer nenhuma denúncia com medo de ser exposta. “As pessoas tem que entender que não existe dinheiro fácil. Por isso, a recomendação é sempre desconfiar”, alerta.

No caso do imóvel de luxo do Mangabeiras, os criminosos forjaram documentos que comprovavam a posse por usucapião por meio de registro adquirido em cartório. O golpe da venda só não se concretizou porque o interessado na aquisição conseguiu localizar o verdadeiro proprietário da mansão e descobrir a fraude antes de efetuar o pagamento.

Recorrente

A pena para o estelionato pode chegar a cinco anos de prisão, mas, apesar disso, mais de 31 mil casos foram registrados em Minas só em 2016. Marinho destaca que, apesar de conhecidos, muitos golpes ainda fazem novas vítimas.

Um exemplo é a farsa do bilhete premiado, em que uma pessoa com trejeitos interioranos alega ter ganhado na loteria. Ela diz à vítima que, por ter uma vida simples, só precisa de algo em torno de R$ 10 mil. O dinheiro é entregue ao golpista em troca do falso bilhete.

Outro caso clássico é o da venda de automóveis de luxo por preços abaixo da média de mercado. A vítima vê o anúncio, liga para o suposto proprietário e recebe a informação de que o carro acabou de ser vendido. Em seguida, o golpista informa que, por um sinal de R$ 20 mil, consegue desfazer o negócio com o primeiro comprador. 

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A vítima faz o depósito do adiantamento na conta bancária informada e o vendedor desaparece com o dinheiro. “Isso existe desde o início da humanidade. Além do mais, é muito mais fácil aplicar um estelionato do que furtar alguém”, acrescenta o advogado.

Criatividade dos bandidos desafia forças de segurança

A criatividade dos estelionatários que, a cada dia, elaboram novas formas de obter vantagem de maneira fraudulenta tem surpreendido investigadores. Por esse motivo, a Polícia Civil alega que não há uma conduta única para se proteger dos golpes.

Por meio de nota, a corporação informou que, em caso de estelionatos envolvendo celular, é importante informar o número do IMEI (código de identificação do aparelho) e cancelar a linha junto à operadora. 

Já nos casos cartão de crédito ou cheque, a recomendação é informar imediatamente ao banco o ocorrido e pedir o bloqueio ou cancelamento.

Golpes

Práticas criminosas envolvendo cartões de crédito são frequentes. Em Belo Horizonte, uma quadrilha com dados pessoais de clientes de vários bancos, aplicou golpes em idosos no fim do ano passado.

No crime, que foi mostrado pelo Hoje em Dia, pessoas se passavam por funcionários de uma instituição financeira e ligavam para titulares de contas bancárias informando que compras suspeitas teriam sido feitas usando o cartão de crédito delas. 

Para resolver o problema, a pessoa era orientada a ligar para um número fixo, onde outro falso atendente em uma suposta central recolhia dados como o número e a senha do cartão da vítima, que acreditava estar cancelando a compra indevida.

Crime de estelionato