A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou nesta quinta (9) levantamento dos casos de violência contra mulheres no carnaval de Belo Horizonte. Durante os seis dias da folia, entre a sexta-feira e a Quarta-feira de Cinzas foram registradas 205 ocorrências. Isto significa que houve uma vítima a cada 42 minutos de folia.

Foram 150 casos de agressão e 46 de lesão corporal. As nove ocorrências restantes envolveram estupro, estupro de vulnerável e outras infrações contra a dignidade sexual.

Os números apontam para uma realidade diferente da que foi apresentada pelo secretário municipal de Segurança Pública e Prevenção, Cláudio Beato, em entrevista coletiva na qual apresentou o balanço da prefeitura sobre o carnaval. "Tivemos apenas uma ocorrência mais notável de crime de gênero, e o acusado está tendo que se explicar hoje na delegacia. O trabalho das forças de segurança foi muito positivo. Mas não foi só ele. A sociedade também estava mobilizada e preparada para lidar com este tipo de ocorrência", disse Beato.

Ele se referia ao caso que ganhou destaque na imprensa em que uma mulher foi assediada e recebeu uma cabeçada no nariz. A vítima e testemunhas reconheceram e identificaram o agressor em fotos nas redes sociais. O caso está em investigação, por meio de inquérito aberto pela Polícia Civil. O homem prestou depoimento na semana passada.

O combate ao assédio havia sido tema de uma campanha e de uma marchinha lançada por foliãs de Belo Horizonte. A iniciativa contou com o apoio de cerca de 30 blocos, além de entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

Apesar do grande número de ocorrências neste carnaval, houve queda de 12,76% em relação aos números do ano passado (235 casos).

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