Cerca de 300 ciclistas se reuniram em frente à Igrejinha da Pampulha para apontar riscos para o lazer e a prática do esporte, caso sejam colocado blocos de concreto para separar a via dos veículos e da ciclo faixa. Eles reivindicaram ainda a padronização de apenas um sentido da ciclovia, para que ela deixe de ser mão e contramão.
 
“Esse protesto veio ante a insensibilidade da Prefeitura. Mostramos que, na prática, essas duas questões estão inviabilizando o contexto de pessoas que andam, em sua maioria, no sentido horário e precisam de liberdade para pedalar”, defende o ultraciclista Rogério Pacheco. 
 
Sete dos 18 quilômetros do total da avenida Otacilio Negrão de Lima, que contorna a Lagoa da Pampulha, receberam a ciclovia. Ainda conforme Pacheco, os blocos de concreto irão desencadear uma série de transtornos e mudanças na rotina de quem costuma pedalar no local. “Eles vão impedir qualquer pessoa acima de 20km por hora andar dentro da pista, que ficará limitada. Ficaremos engessados e confinados com a ciclovia estreita”, reclama ele, ressaltando a possibilidade de acidentes com o projeto da PBH.
 
“A pista com mão e contramão como está vai comprometer a integridade das pessoas. Se dois ciclistas vierem cada um de um lado podem colidir e se machucar. A situação pode se agravar se alguém bater a bicicleta em um dos blocos e cair na frente de um carro”, avalia.
 
Cartazes
 
Pessoas de todas as idades participaram do protesto. Nas bikes, os desportistas mostraram os cartazes com as reivindicações e fecharam a passagem dos carros. Da Pampulha, os manifestantes seguiram pela avenida Antônio Carlos, sentido UFMG, de onde retornaram ao ponto de origem.
 
O consultor Guilherme João, de 79 anos, ciclista desde os 14 anos, diz que, para ele, o esporte significa melhor qualidade de vida. “Pedalar é muito bom, para envelhecer mais devagar, cheio de saúde e disposição. A Pampulha é um paraíso para nós”, afirma.
 
Ele, entretanto, chama a atenção para a maneira como a ciclovia foi projetada. “Do jeito que a Prefeitura quer fazer vai ter muito acidente, envolvendo carros e ciclistas. Precisamos acostumar e respeitar cada um em seu espaço”, pontuou.