Os moradores de Paracatu de Baixo, uma das regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, escolhem neste sábado (3) o terreno em que a comunidade será reconstruída. Participam da eleição 108 famílias que tiveram suas casas prejudicadas pelo alastramento da lama, no fim de 2015. Delas, 67 já fizeram sua opção por um dos locais. Vence a região que tiver mais de 60% dos votos válidos. 

A comunidade afetada pelo desastre deve optar por um dos três terrenos mapeados pela mineradora - todos próximos ao local do antigo distrito. As regiões, denominadas de Toninho, Lucila e Joel, ficam a 31km, 32km e 42km de Mariana, respectivamente.  

A população, que está distribuída por casas em Mariana, visitou as três áreas antes de decidir por uma delas. O pedreiro Tcharles do Carmo Batista integrante da comissão de moradores de Paracatu de Baixo, conta que a principal dificuldade de morar no centro de Mariana é estar distante da comunidade em que convivia. 

“Aqui nós estamos cercados por pessoas desconhecidas. Lá convivíamos diretamente com vizinhos amigos e familiares. É muito difícil ir à casa do outro, estamos cada um num bairro”, diz. O morador do distrito reforça, no entanto, que o diálogo da comunidade com a mineradora é importante para que o local seja reerguido da melhor forma possível, atendendo às demandas dos habitantes da região. 

Condições

A reconstrução dos distritos de Paracatu de Baixo, Bento Rodrigues e Gesteira faz parte dos compromissos assumidos pela Samarco após o incidente, e tem conclusão prevista para março de 2019. Os outros dois povoados já votaram as áreas em que serão reerguidos. O primeiro ficará a 8km de Mariana, e o segundo a 13km de Barra Longa. 

Como as populações de Bento Rodrigues e de Gesteira, os moradores de Paracatu de Baixo tiveram acesso a estudos técnicos e informações como qualidade do solo e da água, relevo e vegetação de cada uma das possíveis áreas para a reconstrução da comunidade.

Além da proximidade da região atingida pela barragem, os terrenos devem atender aos critérios de relevo adequado, acesso a transporte público, disponibilidade de energia, fácil abastecimento de água e acesso a outras regiões e manutenção da vizinhança de Paracatu de Baixo - todos estabelecidos pelas famílias prejudicadas.

O representante da Samarco, Álvaro Pereira, líder dos programas de reconstrução dos distritos, conta que, após escolhido o terreno, haverá audiências com a população para que ela decida o desenho do modelo das regiões. "Eles vão escolher como vai ser as ruas, onde vai estar a igreja, a escola, a quadra poliesportiva."

Tcharles Batista lembra que os novos terrenos não estarão em contato direto com o local em que a antiga comunidade estava estabelecida. Esta foi uma das exigências feitas pelos moradores para que fosse criado um novo acesso ao distrito, tornando-o ainda mais próximo de Mariana.

“A gente não queria passar pela cidade antiga porque o lugar guarda muitas memórias. Eu nasci, fui criado lá e perdi tudo. Assim como eu, muitas pessoas têm uma história enterrada naquele local. Queremos nos resguardar.”