A perícia preliminar realizada no celular do jovem de 19 anos que se suicidou em Pará de Minas e participava do jogo Baleia Azul - que incentiva os jogadores a tirarem a próprio vida - mostra que o rapaz não sofreu ameaças para se matar, ao contrário das suspeitas da família. Segundo o delegado Carlos Henrique Bueno, responsável pelo caso, a perícia no aparelho será concluída até esta sexta-feira (21), mas, até o momento, não foi constatada qualquer ameaça feita à vítima por participantes do grupo de WhatsApp com a série de desafios da Baleia Azul do qual ele participava.

“Até onde nós analisamos, não existe essa figura [que pressiona os jovens a cometer suicídio e diz que irá perseguir a família deles]. Nós não constatamos ameaça. Então, é mais uma questão de a pessoa estar fragilizada. Vamos saber com certeza quando a perícia for concluída”, disse. Segundo o delegado, não será possível dizer se os participantes do grupo seriam maiores ou menores de idade porque a informação envolveria quebra de sigilo telefônico. 

A possível relação com o perigoso jogo está sendo investigada em outros casos de tentativa e suicídio consumado de jovens no Estado. Em Manhuaçu, no Leste de Minas, uma adolescente de 13 anos foi encontrada desacordada pela tia na madrugada do último domingo (16). Segundo a Polícia Civil, a jovem teria cortado os braços e desmaiado após ingerir uma série de medicamentos. A garota está internada e não corre risco de morte, conforme a PC, que investiga a possível conexão com o Baleia Azul. 

A polícia ainda analisa possíveis relações entre o jogo Baleia Azul com outros dois casos: um em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, e outro no bairro Ribeiro de Abreu, em Belo Horizonte. 

O adolescente da capital, de 16 anos, foi encontrado morto por familiares no último sábado (15). Ele se enforcou e teria postado nas redes sociais a frase: “A culpa é da baleia”.  As investigações estão em andamento, mas apontam, até o momento, que o suicídio não está relacionado ao jogo, de acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil. 

Em Leopoldina, um rapaz de 18 anos que estaria participando do jogo foi ouvido pela Polícia Civil após denúncia da mãe, que viu cortes no braço do filho simulando o desenho de uma baleia. A ocorrência foi registrada na última quinta-feira (13). 

 

Baleia Azul

No jogo mortal, os participantes devem seguir uma série de 50 desafios. Dentre eles, cortar a própria pele, se fotografar do alto de um prédio e, por fim, tirar a própria vida. O Baleia Azul foi criado na Rússia e suspeita-se de que esteja relacionado à morte de vários adolescentes por lá.

Após a repercussão de casos envolvendo games perigosos no ambiente da internet, a Polícia Civil de Minas Gerais elaborou uma série de dicas de prevenção voltadas para os pais e para os adultos em geral para evitar que crianças e adolescentes sejam expostos a crimes via ambiente virtual. Confira:

  • Mantenha a proximidade com os filhos, sobrinhos e alunos. Dessa forma, é possível conhecer mais sobre amigos, lazer e atividades sociais de interesse.
  • Tenha acesso a redes sociais para verificar o tipo de assunto que a criança ou o adolescente aborda ou compartilha entre os amigos. 
  • Conheça a rotina deles e fique atento a qualquer alteração de comportamento. Mudanças de estilo de roupas e hábitos, por exemplo, são indicativo de alerta.
  • É fundamental que a família e a escola realizem atividades que despertem o interesse no jovem acerca do futuro dele, que estimulem a autoestima e o que ele planeja para a vida.
  • Promova sempre um diálogo aberto com orientações e informações sobre os riscos de eventuais crimes pela internet, ressaltando que podem vir mascarados de entretenimento e sedução para algo interessante e que, na verdade, pode ser uma grande armadilha.
  • A relação de confiança criada com os pais é imprescindível para que o adolescente possa relatar qualquer coisa diferente que tenha ocorrido em sua rotina, sem temer a punição.

Fonte: Polícia Civil

Onde buscar ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O serviço funciona 24 horas por dia pelo telefone 141, por e-mail, chat ou Skype.

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