Quem precisou ir a um posto de saúde em Belo Horizonte nesta quarta-feira (15) pode ter ficado sem atendimento. Assim como os metroviários, muitos funcionários da saúde também aderiram à paralisação contra as reformas previdenciária e trabalhista. Por isso, os centros médicos da capital ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS) estão funcionando com capacidade reduzida: a maior parte das unidades está recebendo somente casos de emergência. 

No Centro de Saúde Santos Anjos, no Carlos Prates, cartazes afixados na entrada já avisam os moradores que os setores de vacinação de rotina, farmácia, curativos e coleta de sangue, fezes e urina não estão funcionando devido à paralisação. A reportagem esteve no local por volta das 11 horas e verificou que o posto estava completamente vazio. As poucas pessoas que aguardavam atendimento na ocasião foram se vacinar contra a febre amarela. 

Para não perder viagem, a estudante Fernanda Costa, de 23 anos, ligou para o posto antes de sair de casa e se surpreendeu ao encontrar o lugar sem ninguém. "Não sabia da manifestação. Estou aqui há 10 minutos e já vou até ser atendida, porque os funcionários disseram que só estão aplicando vacina contra febre amarela", conta.

postoPRIORIDADE - No Padre Eustáquio, somente pacientes graves ou com agendamento prévio podem se consultar

Atender somente pacientes que agendaram consulta ou os que estão em estado grave são as prioridades no Centro de Saúde Padre Eustáquio, na região Oeste da capital, segundo funcionários do posto. A farmácia está parada, assim como a enfermagem e as atividades administrativas, então, não é possível trocar curativos ou pegar remédios, como muitos moradores tentaram fazer nesta manhã. 

Os médicos e os dentistas da unidade, porém, estão trabalhando para garantir que casos mais sérios como o do aposentado Marco Antônio Brunelli, de 52 anos, que está com pneumonia pela segunda vez, recebam atendimento. "Eu expliquei que estou muito mal e eles me colocaram na fila. Mas muita gente aqui não pôde ser atendida", diz. Nas contas do aposentado, a espera pela consulta já durava cerca de duas horas. 

Sem saber da paralisação, a dona de casa Daniela dos Santos foi levar a mãe para um atendimento marcado e aproveitou para fazer exames de sangue e ginecológicos. Ao chegar no posto, Daniela foi informada que boa parte da equipe de enfermagem estava paralisada e que não poderia ser examinada hoje. "Minha mãe foi atendida porque a consulta dela já estava agendada há semanas. Achei que conseguiria aproveitar para me consultar, já que sempre venho aqui no posto e moro aqui perto, mas acabei perdendo viagem", diz. 

UPAs

De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital funcionariam somente com 30% da capacidade. A reportagem esteve na UPA Centro-Sul e constatou que apenas um médico, dos três que trabalham no turno da manhã, estava atendendo nesta quarta-feira. No entanto, segundo membros da administração da UPA, as outras atividades do centro de saúde estão ocorrendo normalmente e, com exceção dos médicos faltantes, o quadro de funcionários está completo. 

Paralisação geral

O Sindibel informou que apenas os serviços de urgência e emergência estão funcionando na capital. As unidades de pronto atendimento e o Hospital Odilon Behrens seguem com o atendimento normalizado. Já os centros de saúde estão com o atendimento suspenso. Em algumas unidades, apenas as atividades administrativas estão em funcionamento, sem atendimento à população. 

Outros setores da prefeitura com fiscalização, limpeza urbana, assistência social, administrativo, fundações e parques seguem com o serviço paralisado. Algumas escolas municipais e Umeis também suspenderam as atividades nesta quarta-feira. O presidente do Sindibel, Israel Arimar afirma que 80% dos serviços municipais estão com as atividades paralisadas. "A prioridade é deixar apenas o serviço de urgência e emergência em funcionamento", diz.

*Com Gabriela Sales