A partir desta quarta-feira (25), a Samarco terá 45 dias para entregar um projeto de manejo de 20 milhões de metros cúbicos (m³) de rejeitos depositados no Rio Doce. O plano prevê a recuperação inicial dos primeiros 100 km do curso d'água afetado pelo rompimento da barragem do Fundão, em novembro de 2015. 

A Fundação Renova, instituição criada pela mineradora para reparar os danos socioambientais causados, irá retirar 11 mil metros cúbicos de rejeitos localizados entre a barragem, na região de Mariana, e a usina hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga, na Zona da Mata mineira.

O manejo dos resíduos está previsto no Termo de Ajustamento de Conduta assinado por Samarco, Vale e BHP, empresas responsáveis pelo desastre ambiental que impactou o Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Ao todo, há mais 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos ao longo de toda a extensão do rio, que tem cerca de 700 km. De acordo com o gerente executivo de programas socioambientais da Fundação Renova, Thiago Marchezi, o trecho até Candonga foi escolhido para iniciar o programa de restauração porque possui potencial de erosão e  maior concentração de resíduos aparentes no curso do rio e nas planícies de inundação, embora o estudo percorra toda a região impactada. 

O destino dos outros 9 milhões de metros cúbicos depositados na região será discutido até março em reuniões com especialistas da área, órgãos ambientais e empresas de consultoria. O grupo de estudos avalia, inclusive, a possibilidade de tratar os rejeitos sem realizar a remoção, diz Thiago. 

De acordo com o representante da Fundação Renova serão analisadas 16 áreas prioritárias ao longo dos 100 km afetados. Ele explica que a equipe técnica já começou a estabilização dos rejeitos na área. “Nós já caracterizamos esses rejeitos para saber a composição química e os impactos para o meio ambiente. Além disso vimos quais têm potencial de sofrer erosão. Com isso, queremos evitar um possível carreamento desses sólidos ao longo do rio em um período de chuva, por exemplo”, afirma.

Após protocolado, o projeto será avaliado por um comitê interfederativo, que conta com representantes dos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e também dos governos estaduais de Minas Gerais e Espírito Santo, afetados pela lama da barragem.