Com a circulação do vírus da febre amarela já confirmada em 21 cidades e investigada em outros 26 municípios, Minas Gerais entra em estado de alerta para a doença. No contra-ataque, o governo do Estado tem levado vacinas até a casa dos moradores e feito uma varredura nos parques para saber quais devem ser interditados. O Parque do Rola-Moça, na Grande BH, por exemplo, foi fechado nessa sexta-feira, sem data para reabertura.

Em caráter de segurança, o secretário de Estado de Saúde, Sávio Souza Cruz, recomendou o fechamento do Inhotim, em Brumadinho, também na região metropolitana, ao presidente do Conselho de Administração do museu a céu aberto, Ricardo Gazel. O local, no entanto, permanecerá aberto ao público. 

Em nota, a instituição diz estar tomando todas as medidas preventivas necessárias para combater a doença e garante que irá disponibilizar repelentes aos visitantes. Um monitoramento diário é mantido no local, onde não foi identificado nenhum caso de contaminação. 

Outras áreas verdes ainda podem ser interditadas, caso seja detectada a necessidade. “No surto do início do ano passado, fechamos o Parque do Rio Doce. Não sabemos ainda se teremos que fazer o mesmo na Mata da Baleia, por exemplo, ou em outras regiões. Vamos acompanhando”, afirma o secretário. 

O que torna o quadro mais alarmante é o fato de Minas Gerais ter acabado de enfrentar um surto da doença. No ano passado, 435 pessoas ficaram doentes, sendo que 136 morreram. Em 2016, tinham sido 40 casos, com 26 óbitos.

“O aumento das chuvas e das temperaturas elevam a frequência de febres hemorrágicas. Então, para toda febre hemorrágica pedimos diagnóstico para febre amarela”
Sávio Souza Cruz
Secretário de Estado da Saúde

Contenção

A decisão de interditar parques veio logo após a confirmação de duas pessoas contaminadas pela doença em Brumadinho. Uma das vítimas, um homem, de 51 anos, morreu. O outro, de 37, está internado no Espírito Santo. Para tentar impedir que o vírus avance pelo município, equipes de reforço são enviadas para a imunização dos moradores, vacinados em casa. 

O foco principal, segundo o subsecretário de vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Rodrigo Said, é a zona rural, que é onde está o foco de contaminação. 

Para que consigam vacinar o maior número de pessoas possível, as visitas às residências terão o horário estendido na cidade. Enquanto atualmente elas acontecem até 17h, agora ocorrerão até 21h. 

Em nota, a Prefeitura de Brumadinho garante que mais de 80% da população foi imunizada. Em dezembro passado, foram feitas blitze educativas e os trabalhos de vacinação permanecerão. 

“Em paralelo à cobertura vacinal, vamos acompanhar a rota dos macacos. Quando acontece uma morte, é 
a ponta do iceberg. Queremos entender esse fluxo”
Sávio Souza Cruz
Secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais

 

Nos demais municípios em alerta, a orientação do Estado é de que levem as vacinas para a zona rural, mas ainda dentro do horário comercial. O objetivo agora é chegar a uma cobertura vacinal de 95%. 

Por enquanto, a média está em 81%, o que significa que 3,7 milhões de mineiros ainda não receberam a dose contra o vírus. O pior quadro está entre os homens de 15 a 45 anos. 

Recursos extras são necessários para combate ao vírus

Para ampliar as ações de combate à febre amarela, o Estado vai pleitear recursos extras junto à União. “Não é novidade para ninguém a restrição financeira que passa o Estado. Por isso, veríamos com bons olhos uma sinalização positiva nesse sentido por parte do governo federal”, disse nessa sexta-feira o secretário de Saúde de Minas Gerais, Sávio Souza Cruz. 

A ideia do governo do Estado é antecipar o repasse de recursos para os municípios em alerta. Além disso, doses extras de vacina estão sendo disponibilizadas. Minas tem um estoque de 1,4 milhão de doses e foi pleiteado junto à União outro milhão de garantia. 

Em nota, o Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido solicitação para aumento no repasse de recursos destinados ao combate de febre amarela em Minas Gerais.

Cuidados

O subsecretário de vigilância epidemiológica da SES, Rodrigo Said, recomendou cautela nas viagens de férias. Ele pediu que cada pessoa faça uma avaliação se está devidamente imunizado antes de viajar para áreas rurais e cachoeiras. 

Em Belo Horizonte, o Parque das Mangabeiras, o mirante do local e o Parque da Serra do Curral foram fechados preventivamente por orientação da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA).

Para a infectologista Sílvia Hees, o fechamento de parques é uma medida que ajuda no combate aos casos de febre amarela e lembra que os mais suscetíveis são aqueles que vivem em áreas próximas a matas. No entanto, ela pondera que o mais importante é a conscientização de toda a população, rural e urbana. “A vacina é essencial, eficaz, e está disponível para todo mundo. As pessoas têm que se proteger”, ressalta.

Segundo a SMSA, até o mês de dezembro 70 macacos foram encontrados mortos na cidade. Destes, 7 deram positivo para febre amarela e 8 permanecem pendentes de resultado. Entretanto, não houve registro de contaminação de pessoas.

 

Febre Amarela

Colaboraram Raul Mariano e Mariana Durães