Faltando apenas três dias para o fim da campanha de vacinação, mais de 56 mil crianças de até 5 an|s permanecem expostas ao vírus da gripe em Belo Horizonte. A meta é imunizar 124 mil, mas até agora somente 54% desse público recebeu a dose contra a doença.

O baixo índice preocupa as autoridades. Ontem, o Ministério da Saúde anunciou que, após o fim da ação, os municípios poderão ampliar a imunização para crianças de 5 a 9 anos e adultos de 50 a 59 anos, desde que haja imunização disponível.

A Secretaria de Saúde da capital mineira diz seguir recomendação do governo federal, mas, até o fechamento desta edição, não havia sido comunicada sobre a extensão da proteção. Na próxima semana, a prefeitura fará um levantamento do estoque de vacinas e, inicialmente, deve priorizar crianças de até 2 anos que precisam receber uma segunda dose.

A taxa de gestantes protegidas na metrópole também está aquém do desejado. Desde o início da campanha, em 23 de abril, 60% das grávidas foram vacinadas. A meta preconizada para cada público-alvo é de 90%.

“Nos preocupa o fato da população vulnerável não estar protegida. É muito importante tomar a dose, e ainda dá tempo. Além disso, mesmo depois do prazo, caso alguma mulher se descubra gestante ou a criança atinja os seis meses de idade, será possível procurar os postos de saúde”, afirma Lúcia Paixão, diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de BH (SMSA).

Medo

Uma das hipóteses para os baixos índices de crianças e grávidas imunizadas é que muitas delas devem ter procurado a rede privada para se vacinar, diz Lúcia. Porém, o infectologista Unaí Tupinambás afirma ser necessário, também, considerar que muitos pais temem vacinar os filhos.

“Há uma grande discussão em torno disso, alguns receiam uma incidência maior de resfriados após a imunização e até outros problemas, como o autismo, mas não há nada comprovado cientificamente”.

Essa, inclusive, é a principal alegação da vendedora Michelle Regina, de 35 anos, para não vacinar o filho Bernardo, de 5. O garoto tomou a dose contra a gripe até os 2 anos. “Depois não dei mais. Vejo muitas crianças ficarem resfriadas após serem vacinadas. Acho que a quantidade de vírus que injetam no organismo é muito menor do que os tipos existentes por aí”, comenta Michelle. Apesar de não mais levar o menino para ser imunizado, ela garante adotar medidas de prevenção. “Como lavar as mãos frequentemente. Acho melhor tomar esses cuidados”, diz.

Alcance

Se por um lado o balanço da SMSA traz um alerta sobre a imunização de crianças e grávidas, por outro, Lúcia Paixão acredita que a meta de vacinação será atingida dentre os demais públicos. No caso das puérperas – mulheres com até 45 dias após o parto –, o índice foi ultrapassado: 105%.

Já entre os trabalhadores da área da saúde, 98,9% foram vacinados. Os idosos também atenderam ao chamado e quase 89% receberam a proteção. No balanço que inclui todos os grupos prioritários, a quantidade de imunizados em BH está em 81%. Em Minas, a cobertura chega a 83%.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a partir de 18 de junho cada município deverá buscar estratégias para continuar vacinando os grupos, em especial crianças, gestantes, idosos e pessoas com alguma doença crônica.

Sobre a ampliação da faixa etária anunciada pelo Ministério da Saúde, a SES informou que não haverá envio de novas remessas, uma vez que todo o estoque do Estado já foi repassado aos municípios.