"Eu não quero que nada de ruim aconteça com eles, não desejo mal a ninguém, mas eu fui muito humilhado. Fui vítima de dois servidores públicos que deveriam estar me defendendo e não me agredindo". O desabafo é do comerciante Frederico Paulino, de 47 anos, que se envolveu numa confusão com dois policiais civis na BR-040, altura da cidade de Congonhas, na região Central do Estado, quando voltava para Belo Horizonte, na manhã dessa quarta-feira (11). 

Segundo o comerciante, ele dirigia pela rodovia sozinho e, num trecho de estreitamento de pista, acabou acelerando o carro para passar, quando teria fechado um outro veículo, onde estariam os policiais à paisana.

O motorista desse veículo teria então logo à frente emparelhado o carro com o dele e o carona apontou uma arma, ordenando que o comerciante encostasse. Ele obedeceu e os ocupantes já teriam descido do carro com as armas em punho e gritando: "Mão na cabeça, mão na cabeça, polícia".

Assustado, ele disse que tentava conversar com os policiais "O que eu fiz? Eu não fiz nada". O comerciante se negou a colocar a mão na cabeça e gritava que não era bandido, quando um dos policiais teria dito "eu vou atirar".

A partir desse momento, uma testemunha que estava parada do outro lado da estrada começou a gravar com um celular toda a confusão (veja o vídeo abaixo). "Você não vai colocar algema em mim não", tentava argumentar Frederico. Ainda de acordo o comerciante, ele não entendia o motivo de tudo aquilo estar acontecendo e se negava a ser algemado.  "Então atire, eu não sou bandido e não fiz nada'.

Segundo Frederico, a recusa em ser algemado deixou os homens ainda mais descontrolados e eles teriam começado a dor socos e a rasgar a roupa dele. "Eles me bateram muito, o meu corpo está todo dolorido até agora, minhas costelas doem, minha mão está inchada e minhas pernas raladas".

Em determinado momento em que ele se debatia com os policiais, uma viatura da PM passou pela rodovia e parou. Ele então foi algemado e colocado dentro da viatura. "Eu fiquei lá por umas duas horas, sem poder ligar para ninguém", contou o comerciante. 

Com a chegada da Polícia Rodoviária Federal, que foi chamada para dar continuidade à ocorrência, ele passou pelo teste do bafômetro, que deu nagativo. A PRF então decidiu liberá-lo, mas o comerciante insistiu para ser levado até uma delegacia, porque até então ninguém tinha feito nenhum boletim de ocorrência.

Em seguida, os policiais civis foram embora e a PRF liberou Frederico."Eu voltei chorando de raiva de Congonhas a BH por causa da covardia que sofri", completa.

Na capital, aconselhado por um advogado, ele fez uma representação na Corregedoria de Polícia e aguarda um posicionamento para a ação que considerou totalmente arbitrária e covarde. "Ele me bateu, quebrou  meu telefone, rasgou minha roupa e eu não fiz nada", concluiu o comerciante. 

Em nota, a Polícia Civil informou que os dois policiais estavam a caminho de BH, em diligência, quando avistaram um motorista dirigindo em zigue-zague na rodovia, fazendo ultrapassagem perigosa, em local proibido. Sendo assim, foi feita abordagem do motorista e acionada a Polícia Militar (PM) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Ainda segundo a PC, a denúncia foi formalizada na corregedoria, que fará a devida apuração.

Assista ao vídeo: