O uso de medicamentos para melhorar o rendimento nos estudos não é exclusividade apenas de estudantes que têm algum tipo de sofrimento mental. Para lidar com a ansiedade, por exemplo, muitos alunos da UFMG encontram nos medicamentos a alternativa para manter o desempenho acadêmico.

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É o caso de Paula Franco Belumat, de 23 anos, aluna de engenharia de produção na instituição. Ela toma remédios para ansiedade. “Somos cobrados o tempo todo na faculdade e, às vezes, mesmo em atividades fáceis, como não conseguir estudar direito para uma prova, sou tomada por emoções de todos os tipos, que só pioram meu esgotamento físico e mental”.

Crises

Um comprimido ao levantar, um para conseguir aproveitar as aulas e outro para dormir. Todos os dias, a estudante de química Giovana França Fernandes, de 20 anos, conta com a ajuda dos medicamentos para lidar com a depressão. No último semestre, ela foi parar no hospital por conta de uma crise de ansiedade. A jovem acredita que a graduação tenha sido um dos fatores que desencadeou a doença.

“A primeira vez que fiquei um fim de semana inteiro chorando foi por causa de nota. A maior parte das minhas crises de ansiedade vem durante as provas ou a partir situações que ocorreram nas aulas, mas tive sorte de ter professores que me deram suporte”, explica.

Concentração

Para aumentar a concentração, o metilfenidato, conhecido popularmente como Ritalina, é um dos remédios procurados pelos universitários. Porém, pode causar dependência, aumento da pressão arterial e agravamento de comportamentos agressivos.

Mesmo com os riscos, André Gonçalves Lasmar, de 25 anos, recorre ao medicamento para melhorar a performance nos estudos. Diagnosticado com transtorno bipolar, o estudante de economia toma cerca de 180 comprimidos por mês – uma média de seis por dia. “É um vício, preciso do efeito do remédio”.

Igual a ele, cerca de 6% dos alunos da Federal já ingeriram Ritalina, conforme pesquisa realizada pelo Centro de Estudos do Medicamento da Faculdade de Farmácia da UFMG, em 2015. “O número, embora pareça pequeno, é semelhante ao encontrado em outros países que já consideram esse uso (para melhorar o desempenho acadêmico) como um problema de saúde pública”, afirma Joyce Melgaço, pesquisadora do departamento.

Não existem evidências científicas de que a substância seja eficaz para aumentar a concentração, já que ela é indicada para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e da narcolepsia.Em maio, a UFMG promoveu uma ação de conscientização sobre o uso racional do medicamento.