Quem usa o transporte coletivo diariamente na capital terá que redobrar a atenção. Com a renovação da frota, a prefeitura deu início à padronização dos veículos. A partir de agora, não haverá mais distinção por cor entre as linhas.

Trinta novos ônibus plotados em azul escuro e cinza, com ar-condicionado e suspensão a ar, começaram a circular ontem. Outros 40 entram em operação na semana que vem. 

O recurso visual – juntamente com numeração e nome da linha – era utilizado para garantir ao usuário uma informação rápida e segura. Mas será deixado de lado sob a justificativa da tecnologia. 

Segundo o presidente da BHTrans, Célio Freitas Bouzada, a escolha foi baseada em pesquisa realizada no governo anterior. “O levantamento apontou que esse não é o principal item para a população na hora de pegar um ônibus. Temos aplicativos que, pelo celular, informam o tempo que ele irá passar. Hoje, o esquema antigo de cores não se faz mais necessário”.

“Vamos priorizar linhas mais distantes, as das vilas, alimentadoras e algumas bairro a bairro de grande percurso, alcançando o maior número de pessoas imediatamente” (Célio Bouzada, presidente da BHTrans)

Contrários

Já a Associação dos Usuários de Transporte Coletivo e Alternativo de Belo Horizonte afirma não ter tido acesso à pesquisa. “Ninguém foi consultado. Nem a entidade, nem os usuários. Se nossa opinião fosse considerada, isso não mudaria, porque acreditamos que vai prejudicar a população”, disse a vice-presidente da associação, Gislene Gonçalves dos Reis.

A mudança também preocupa o especialista em engenharia de transporte e trânsito Márcio Aguiar. Segundo ele, a cor é essencial e é um recurso utilizado em várias partes do mundo. “Isso é feito para orientar o usuário, porque estabelece rota, área de circulação. A mudança atrapalha e causa tumulto”.

Elementos

De acordo com Aguiar, é preciso considerar que muitos passageiros dependem de certos elementos para a identificação. “Nem todos são jovens, com boa visão e informação. Quando se põe apenas uma característica, não está sendo levado em conta que algumas pessoas identificam a linha pela cor por não saberem ler, por exemplo”.

Modernização

A capital terá, até o fim do ano, 250 novos ônibus convencionais. Em 2018, serão colocados mais 500 em circulação, mesma quantidade prevista a cada 365 dias até que toda a frota seja renovada. 

Considerando a modernização importante, Márcio Aguiar afirma que as mudanças poderão pesar no bolso do usuário. “Oferecer mais conforto para o passageiro é essencial, mas não podemos ignorar que a conta virá na tarifa”. A BHTrans, no entanto, garantiu que isso não vai acontecer.

Atualmente, BH tem 2.849 ônibus, sendo 2.421 das linhas convencionais e 428 do Move. Além disso, são 274 linhas suplementares, que complementam o sistema municipal de transporte coletivo.

Ônibus cores BH