O frio intenso em Belo Horizonte, que deve prosseguir pelo menos até domingo, motiva uma cadeia solidária na capital. Grupos de amigos, entidades, igrejas e empresas lançaram variadas campanhas de arrecadação de agasalhos e cobertores. As ações visam aquecer os mais vulneráveis. 

Uma delas é realizada em conjunto pela startup Lave em Casa, a agência Casasanto e o Distrito da Moda de Belo Horizonte (DMBH). Foram colocadas nas ruas e nas redes sociais imagens de moradores de rua vestidos com roupas de frio e posando para fotos como modelos. Com o mote “Sua doação faz a moda”, a campanha busca peças de inverno nas casas de doadores e repassa para os desabrigados. 

“Com as fotos tentamos sensibilizar as pessoas sobre como uma peça que elas sequer usam pode ficar muito bem em outras que, de fato, estão precisando”, afirma um dos coordenadores da campanha, Fabrício Sucupira, sócio-fundador da Lave em Casa. 

A diretora de arte Marja Marques Pena, de 38 anos, foi uma das pessoas que abriu o guarda-roupas para ajudar. “Doar é muito bom. E tirar coisas que não usamos mais de casa também é. Então criamos uma energia positiva que é boa para todos os envolvidos no processo”, afirma. 

Voluntariado

A mesma vontade de ajudar uniu várias pessoas que formam o grupo Força do Bem. Dentre as várias ações do coletivo, que existe há oito anos, está a busca por agasalhos para doar no inverno. Segundo a voluntária Luísa Acácio Ferreira, na hora da entrega, eles costumam se fantasiar para levar também alegria a quem estão ajudando.

Até mesmo hotéis e motéis aderiram ao clima de solidariedade que a temperatura tem exigido. A rede MHB dá desconto de 5% para aqueles que doarem roupas e cobertores. E o Motel Green Park tenta estimular ex-namorados a se livrarem das lembranças negativas passando para frente os presentes recebidos antes do término do relacionamento. 

As doações, conforme a coordenadora de hospedagem do motel, Bruna Arcanjo da Silva, serão destinadas para a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, que atua junto a mulheres em situação de violência. 

A prefeitura também tem intensificado as ações de ajuda para a população de rua com a distribuição de cobertores, ampliação do horário de entrada nos abrigos e intensificação das abordagens sociais, de acordo com a Secretaria de Assistência Social. 

Gelado

Depois de alcançar a menor temperatura dos últimos 42 anos, BH deverá permanecer com mínimas inferiores a 12° C. Além disso, os ventos, segundo a Defesa Civil, intensificam a sensação de frio, aumentando o tormento das milhares de pessoas que vivem nas ruas da capital. 

Além Disso

As peças doadas não apenas aquecem como também podem trazer melhores condições de vida. “Sabemos de casos de moradores de rua que buscam roupas mais adequadas para fazerem entrevistas de emprego. As roupas trazem também dignidade a essas pessoas”, afirma a diretora de assistência social do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), Maria Cristina Aires. A instituição tem uma campanha do agasalho, chamada “Calor Humano”, que acontece desde 2015. Neste ano, até o momento, já foram triadas mais de 10 mil peças, que serão entregues em todo o Estado. 

A corrente do bem chama as pessoas até mesmo por mensagens enviadas pelo celular. Uma das que ganhou repercussão traz o textos: “Está frio, não é mesmo? Quando for sair de casa, coloque no carro um casaco extra, aquele velhinho que você não usa mais. Coloca, se for possível, um cobertor que não seja mais usado também. No caminho, eu tenho certeza que você vai encontrar alguém precisando. Às vezes, não podemos fazer muito, mas o pouco que podemos fazer, já pode aquecer uma pessoa”.

Corrente do Bem, doação de agasalhos