Mais abrangente, a qualidade da atenção básica na saúde deixa a desejar em Belo Horizonte. E a especializada, o chamado serviço secundário, decepciona pela cobertura limitada. Segundo pesquisa do Conselho Federal de Medicina divulgada em outubro, 58% dos entrevistados esperam até seis meses para uma consulta com especialista no SUS e 41% mais do que isso.

Cerca de três em cada dez brasileiros (ou alguém em seu domicílio) aguardam para ser atendidos, principalmente para consultas médicas, exames e cirurgias. Essa é a queixa de pacientes ouvidos pelo Hoje em Dia ao longo de dias percorrendo os caminhos do SUS na capital.

A dona de casa Leida Maria de Souza Parreiras, de 61 anos, esperou mais de seis meses para ser atendida por um ortopedista. Conseguiu a consulta no Hospital São José e foi informada que só a cirurgia pode resolver seu problema.

Leida continua a peregrinação para concluir o tratamento. Na Unidade de Referência Secundária (URS) Campos Sales, no bairro Gameleira, Oeste de BH, ela aguarda autorização e o agendamento, mas as perspectivas não são boas. “A demora é um absurdo, pois sinto muita dor”, lamenta.

Com o menisco do joelho lesionado, a costureira Marli Ferreira, de 51, fez a consulta na rede particular para agilizar o processo. Com os exames em mãos, bateu na porta do SUS. Conseguiu atendimento no Hospital São José, que encaminhou o pedido de cirurgia para a URS Campos Sales. “Não há previsão”, diz.

Mesmo assim, Leida e Marli têm avaliações positivas do SUS. “Acho que a demora depende da especialidade. Meu marido, por exemplo, consegue tudo, fez cirurgia de estômago, no pé, tudo pelo SUS, e rapidinho”, diz a dona de casa.

Os pais da Marli também passaram por experiências mais satisfatórias na saúde pública. “Vou ser sincera, tem gente que mete o pau no SUS, mas minha mãe e meu pai dependeram muito do sistema e foram muito bem atendidos”, afirma.

Demora

De fato, em algumas especialidades o gargalo é maior. Ortopedia é uma delas. Segundo a gerente da URS Campos Sales, Érica Ferreira Alvarenga, a meta é que a espera por consultas e exames não ultrapasse 60 dias. “Mas alguns setores demoram mais, como ortopedia e neurocirurgia, por falta de prestadores. A prefeitura tem vagas, mas é difícil captar profissional no mercado”.

Para o secretário municipal de Saúde, Fabiano Pimenta, a solução do problema passa pela ampliação do financiamento e uma política continuada, que mantenha o interesse dos prestadores. “O recurso deve ser remuneratório e sustentado ao longo do tempo”.

Segundo o secretário, há uma grande expectativa com o debate, em nível nacional, do programa Mais Especialidades. “A ideia é a de que ele reconheça que temos um problema de pouca atratividade para os prestadores de serviços investirem em equipamentos e recursos humanos, e assim ampliar a oferta”.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde confirmou que está trabalhando na construção do programa, mas não deu detalhes nem informou o prazo para implementação.


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