Na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), vários departamentos da instituição se uniram para levar até os alunos de escolas públicas mais conhecimento prático sobre o Aedes. Professores, técnicos e universitários desenvolveram um material didático que será trabalhado, a partir do mês que vem, com estudantes dos ensinos fundamental e médio de Ouro Preto, Mariana e Itabirito. 

Os kits pedagógicos consistem em tubos de ensaio que apresentam as quatro fases do vetor da dengue, chikungunya e zika. Eles foram elaborados pelos departamentos de educação, ciências biológicas e das engenharias civil e ambiental. 

“Quando os especialistas em epidemiologia dão palestras nas escolas, eles têm dificuldade em ilustrar a fala. Esse material que desenvolvemos poderá mostrar com clareza como são os ovos, as larvas, as pupas e os mosquitos”, afirma Rondon Marques Rosa, coordenador da pesquisa. 

O material inserido nos kits foi coletado pelo biólogo Rafael Martins, que está desenvolvendo uma tese de doutorado sobre o histórico das notificações de dengue em Ouro Preto. “Antigamente, acreditava-se que a cidade não tinha o Aedes aegypti, por estar em uma região mais fria e montanhosa. Hoje, sabemos que o mosquito está presente durante todo o ano na região”, comenta. 

O programa multidisciplinar ainda vai crescer. Professores e alunos do curso de engenharia de computação estão desenvolvendo jogos eletrônicos que também serão aplicados em sala de aula. “O primeiro game será mais simples, onde o jogador mata mosquitos. Já o segundo será na linha da realidade aumentada”, adianta Rondon. 

Monitoramento

No Triângulo Mineiro, o monitoramento feito desde 2013 pela Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) mostrou que a prevenção das doenças transmitidas pelo Aedes deve ser o ano todo. O acompanhamento populacional do vetor é feito pelo professor de geografia João Carlos de Oliveira em uma região limítrofe entre as áreas urbana e rural de Uberlândia. 

“Observamos que o mosquito está presente mesmo no inverno, quando a chuva é mais escassa”, explica. 

Já no Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Infectologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), há dez pesquisas focadas no tratamento da dengue e nos sintomas persistentes provocados pelo vírus. Uma delas, coordenada pela professora de medicina Luciana de Almeida Silva Teixeira, busca compreender porque muitos pacientes se queixam dos sinais da doença, mesmo após 14 dias de infecção. 

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