Em menos de sete horas, quatro ônibus foram incendiados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar, os crimes ocorreram entre o fim da noite de quarta-feira (27) e madrugada desta quinta (28), em bairros de BH e Contagem. Em um dos ataques, os suspeitos deixaram um bilhete informando que as ações criminosas seriam retaliação à conduta de agentes penitenciários dentro do complexo prisional Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.

De acordo com o major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM, a corporação está em alerta. "Todos estamos mobilizados na tentativa de identificar e localizar os infratores. Estamos dando todo o suporte para a investigação da equipe da Polícia Civil", disse o policial.

O primeiro ataque ocorreu na avenida Olinto Meireles, no Barreiro, onde dois homens armados aproveitaram a parada do ônibus, entraram no veículo e determinaram saída de passageiros e motorista da linha 7100 (Novo Riacho/Flávio Marques Lisboa). Suspeitos jogaram gasolina e atearam fogo no coletivo, fugindo em um veículo que dava cobertura.

No bairro Goiânia, na região Nordeste da capital, cinco homens interceptaram o ônibus da linha 5503 (Goiânia /Centro) utilizando veículos de passeios e motocicletas. Armados, renderam passageiros, motorista e agente de bordo e atearam fogo no coletivo.

Antes de deixar o local dando tiros para o alto, um dos suspeitos entregou um bilhete para o motorista do ônibus, que segundo a PM, informava que o ato criminoso tinha relação com as agressões sofridas por detentos dentro do Presídio Antônio Dutra Ladeira.

Já em Contagem, um terceiro ônibus foi incendiado no bairro Jardim Riacho das Pedras. Suspeitos colocaram fogo no coletivo da linha 1310 (Sol Nascente /Belo Horizonte). Entretanto, desta vez, passageiros e motoristas conseguiram controlar o fogo.

Na madrugada desta quinta-feira, um quarto ônibus foi incendiado no Anel Rodoviário, altura do bairro Betânia, na região Oeste da capital.

 

Detentos mandam atear fogo em coletivos na Grande BH
Segundo o Settra, ataques a coletivos neste ano já somam 21 veículos destruídos


A PM informou que buscas ainda estão sendo feitas na tentativa de localizar os criminosos. Em nenhuma das ações houve feridos.

A Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) informou em nota que "não é possível estabelecer relação entre o fato ocorrido e o Sistema Prisional, até que a Polícia Civil conclua as investigações criminais".

O documento informa ainda que "as denúncias formalizadas são devidamente apuradas e tomadas as providências necessárias, observando normas e preceitos legais pertinentes, a exemplo do amplo direito de defesa e do contraditório".

Atendimento prejudicado

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) disse que os ataques prejudicam o atendimento à população e que os veículos serão substituídos. Segundo a empresa, os ataques a coletivos neste ano já somam 21 veículos destruídos. 

"As queimas de ônibus prejudicam os usuários das linhas com a redução forçada temporária de veículos em circulação. Nos cálculos do SetraBH, um veículo queimado ou depredado deixa de atender, em média, a cerca de 500 usuários por dia útil. Os atos de vandalismo também oneram o sistema de transporte coletivo e sua operação, ao reduzir a capacidade de reinvestimento dos consórcios, que não possuem seguro contra ações dessa natureza", diz a nota.