A tradicional distribuição de peixes na Sexta-feira da Paixão, no bairro Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte, fez a fila dobrar o quarteirão mais uma vez, como acontece há 25 anos. Centenas de pessoas chegaram à rua Paquequer nesta sexta-feira (25), antes mesmo do dia amanhecer e, apesar de o número beneficiados não ter sido revelado, os organizadores afirmam que, nesse ano, a demanda foi 30% maior.

O ato solidário é organizado pelo comerciante Afonso Teixeira como forma de contribuir com as pessoas de baixa renda no feriado religioso. A palombeta, peixe escolhido esse ano para substituir a sardinha, traz a vantagem de ser mais saborosa, segundo Teixeira.

"O que me motiva é a necessidade de praticar a caridade. Iniciei fazendo pequenas contribuições a moradores de rua e a coisa foi crescendo. Hoje nem tenho mais peixaria, mas as doações continuam, enquanto eu tiver força não tem como parar”, explicou o empresário.

Nem mesmo o quadro de crise com inflação elevada comprometeu o gesto solidário. Dados do IBGE apontam que o preço do peixe no país subiu 2,11% nos últimos doze meses terminados em fevereiro de 2016, o que não foi suficiente para desestimular as doações.

Cada pessoa teve direito a levar para casa dois quilos de peixe, o suficiente para alegrar o feriado de quem aguentou horas na fila de espera, como o aposentado Jairo dos Santos.

“Cheguei aqui muito cedo, ainda estava escuro, e graças a Deus consegui pegar meu peixe. Vai ser um almoço abençoado. Vou fazer tudo cozido na panela de pressão pra servir mais três pessoas”, comemorou.

1

Jairo dos Santos vai cozinhar na panela de pressão o peixe que vai servir toda a família

A satisfação foi tanta, que houve cantoria durante a distribuição. Acompanhado do pandeiro, o senhor José Eustáquio de Lima, de 69 anos, retribuiu o gesto solidário animando o ambiente.

“Estou cantando porque estou muito feliz com esse peixinho. Vou fazer um almoço muito gostoso pra mim e para os meus quatro filhos. É uma benção esse alimento”, afirmou.

2

SATISFAÇÃO - O senhor José Eustáquio Lima, de 69 anos, comemorou o recebimento do peixe cantando