Em tempos de dengue, zika e chikungunya, outras doenças podem levar ainda mais pessoas para os hospitais nesta época do ano. Típicos do inverno, os problemas respiratórios já elevam os atendimentos nas unidades de saúde da cidade.

A dica para quem não quer sofrer com as crises causadas por essas enfermidades e encarar demora no atendimento médico, comum com a explosão dos males causados pelo mosquito Aedes aegypti, é se cuidar.

Crianças e idosos merecem atenção redobrada. Esse é o grupo que mais padece com as mudanças bruscas de temperatura que, combinadas à baixa umidade do ar, provocam as doenças do inverno. Para se ter uma ideia, o Hospital Infantil João Paulo II, na capital mineira, já dobrou o atendimento aos pequenos neste mês. 

“Em dias mais frios, com tempo seco, a tendência é a de que as pessoas fiquem em ambientes fechados. No caso das crianças, elas já têm imunidade mais baixa, na escola ficam em áreas pequenas com outras crianças. Esses fatores contribuem para a proliferação do vírus”, observa o diretor da unidade, Luís Fernando Andrade de Carvalho.

A previsão é a de que a demanda no João Paulo II aumente ainda mais entre abril e maio.

Metade dos casos

Segundo o médico, das cerca de 200 fichas preenchidas diariamente em março no hospital, 50% relataram problemas respiratórios. Uma delas foi a do pequeno Vinícius Eduardo de Souza Santos, de 2 anos e seis meses. Internado na última quarta-feira, dessa vez com pneumonia, a criança sofre com bronquite desde o primeiro ano de vida.

Para prevenir as crises, a mãe de Vinícius, Scheila Cristina de Souza, segue à risca as recomendações do pediatra. “Limpo o chão com pano úmido, tiro a poeira todos os dias. A bronquite ataca a cada quatro meses, mas nessa época a situação piora”.

Casos de gripe e resfriado não devem ser subestimados

Prevenção

Deixar as janelas abertas, ambiente ventilado, evitar aglomerações de pessoas, manter a limpeza da casa corretamente e lavar as mãos de forma adequada são algumas das dicas para evitar as doenças respiratórias. “Tossir no antebraço, e não usando as mãos, também evita espalhar o vírus”, reforça o médico Luís Fernando.

Embora não existam alimentos específicos para prevenir essas enfermidades, uma dieta balanceada pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico, tornando-o mais resistente a vírus e bactérias. Para a hidratação, muita água e sucos naturais.

A alimentação deve ser rica em nutrientes, como vitamina C e complexo B. Também deve-se investir em alimentos com função imunoprotetora e que ajudam na prevenção de contaminações bacterianas, como alho, cebola e gengibre.

“Os alimentos não substituem os medicamentos. Dar preferência para esses nutrientes, no entanto, favorece a melhora do quadro clínico”, enfatiza o nutrólogo Octaviano Cruz, da Uniclínica.

Saude

USP desenvolve teste que detecta zika mesmo após eliminação pelo organismo

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um teste que consegue identificar uma infecção de zika mesmo após o micro-organismo ter sido eliminado do corpo.

Com a nova metodologia, é possível confirmar se mães de bebês com microcefalia foram infectadas pelo vírus, mesmo após as mulheres não estarem mais portando a doença.

Depois da validação laboratorial, o teste foi utilizado com sucesso em amostras de sangue de mulheres do município de Itabaiana (SE), cidade com um dos maiores índices de microcefalia do país.

“Com esse método, podemos demonstrar a especificidade da detecção do zika, superando uma deficiência séria dos sistemas sorológicos até agora disponíveis”, esclareceu o professor Luís Carlos de Souza Ferreira, vice-diretor e coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB.

Quem se submete à fertilização in vitro terá de fazer teste do vírus

A partir de agora, quem se submeter a procedimentos de fertilização in vitro ou se disponibilizar a doar material biológico em bancos de células e tecidos terá de se submeter ao teste de detecção do vírus zika, conforme exigência estabelecida pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O objetivo é evitar contaminação pela doença em pacientes que se submetem às técnicas de reprodução humana assistida, em virtude da ocorrência da epidemia no Brasil e da possibilidade de transmissão sexual.

Pessoas que se submeterem a um procedimento de fertilização in vitro poderão ter óvulos e sêmen coletados somente após realizar exames e o resultado for negativo para a doença. Doadores de óvulos congelados cujos testes derem positivo ou inconclusivo estão excluídos temporariamente da doação.