Famílias que ergueram casas às margens da avenida Antônio Carlos, na capital, terão que deixar o terreno. A Defensoria Pública Estadual intermediou um acordo para a remoção dos moradores. Seis deles terão que sair do local até 20 de janeiro de 2018.

Conforme o Hoje em Dia vem mostrando, desde o começo deste ano pelo menos oito famílias ocupam uma área em uma das alças do viaduto Moçambique, na altura do bairro Cachoeirinha, região Nordeste. 

Seis delas estão em um terreno particular de uma empresa. No mês passado, o proprietário da área ofereceu R$ 2,5 mil para cada morador abandonar o espaço. Cinco famílias concordaram com a proposta, como a do lavador de carros Antônio Eustáquio Rodrigues, de 63 anos. Um dos primeiros a fixar moradia no local, o homem vive em um barracão de madeira com a companheira. “Acho que vamos para o interior”.

Na Justiça

Quem decidiu não aceitar o acordo espera a decisão da Justiça sobre uma liminar, que pode sair a qualquer momento e determinar a desocupação imediata. Coordenador da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais, Aylton Magalhães garante que, seja esse o entendimento, irá recorrer. “Para os demais, o processo está encerrado”.

Manoel Luciano Gonçalves, de 48 anos, afirma que o dinheiro oferecido não é suficiente. “Fica impossível pensar para onde ir com tanta gente. No máximo, consigo atravessar a avenida e fazer um barraco de lona”, comentou. Mecânico desempregado, ele vive de bicos.

Na casa de um cômodo e sem janelas, Manoel mora com a mulher, nove filhos e um cachorro. Para dormir, a família se espalha em duas camas de solteiro, uma de casal e um colchão. A cozinha fica do lado de fora, protegida por uma lona.

Posicionamento

Dono do terreno, o empresário Newton Alves Pedrosa, de 74 anos, afirma que não terá outro acordo. “Quem não aceitar vai sair sem nada, tirado pela Justiça”. Segundo ele, a proposta foi a alternativa para retirar os moradores e fechar a área. Ele alega ter sido multado pela prefeitura.

Os moradores disseram não receber auxílios financeiros. Porém, o defensor Aylton Magalhães adiantou que isso poderá ser revisto. “Podemos acionar a assistência social do município e avaliar se eles se encaixam em programas como o Bolsa Moradia, que garante um auxílio aluguel”.