Para alguns, a atenção é despertada pela imponência dos edifícios em meio ao traço curvo do concreto armado. Outros destacam a orla da lagoa, de ambiente harmônico e convidativo para colocar a saúde em dia. Por outro lado, há quem faça questão de criticar a falta de zelo, que ajuda na degradação de espaços e ambientes. Todos, porém, estão na torcida pelo novo reconhecimento.

Elogios, admiração e, não raro, queixas não faltam de quem mora, trabalha ou visita o conjunto moderno da Pampulha, que busca integrar a seleta lista de patrimônio cultural da humanidade. A decisão está nas mãos da Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco). 

60% foi o aumento das visitações registrado na igrejinha da Pampulha em um ano; em 2014 a média era de 5 mil pessoas por mês e em 2015 de 8 mil a cada 30 dias

A graça e a simplicidade do complexo sonhado por Juscelino Kubitschek (1902 – 1976) e projetado por Oscar Niemeyer (1907 – 2012) reúnem milhares de pessoas diariamente no principal cartão-postal de Belo Horizonte.

O xodó da maioria é um dos ícones do espaço: a Igreja São Francisco de Assis, popularmente conhecida como Igrejinha da Pampulha. Só lá, foram nada menos que 96 mil visitações em 2015, média de 8 mil por mês. Um número expressivo se comparado ao ano anterior, de 60 mil.

O Hoje em Dia percorreu o engenhoso traçado do conjunto e conversou com algumas pessoas. Confira.
 

Pampulha

“Se o meu pai estivesse vivo, completaria 40 anos trabalhando na Pampulha. Eu segui os passo dele. Sou apaixonada com este lugar. Me sinto uma privilegiada. Imagina você trabalhar todos os dias com essa vista incrível. Às vezes, saio de casa cansada, estressada e, quando chego na Igrejinha, meu astral muda. Sou quase uma guia turística, só falta o curso. Toda hora dou informação para alguém. Quando chega um estrangeiro, a gente não conversa, mas se comunica que é uma é uma beleza”

Maria do Rosário, 57 anos. Há 13 anos vende pipoca na porta da Igrejinha da Pampulha.

Pampulha

“Esse lugar é muito bonito. Traz uma paz. Você anda tranquilo, tira fotos, se diverte e admira a paisagem. Temos vindo com mais frequência agora. Essas construções são emblemáticas, fazem parte da história de Belo Horizonte. Merecem ser preservadas” 

Samuel Ferreira, 20 anos. Estava com as amigas Yasmin Marques, 17, e Jussiane Soares, 18. O trio mora em bairros próximos à região da Pampulha.

Pampulha

“Sempre que posso gosto de dar uma passada. Hoje (ontem) estou de folga e não deixei de vir. Sempre que recebo amigos de fora da capital também faço questão de dar um passeio pelo complexo. Gosto de correr pela orla, dar uma caminhada e, claro, tomar a minha tradicional água de coco. Minha mãe casou na Igrejinha da Pampulha, ou seja, a história da família passa por aqui”

Liliane Bertolini, 24 anos. Analista de suporte. Moradora do bairro Piratininga.

Pampulha

“Foi a primeira viagem em família a Belo Horizonte. A Pampulha é um lugar bonito, sensacional. Porém, carece de mais atenção. Achei a Igrejinha bem bacana, mas um pouco suja. Tinha uma placa de sinalização vandalizada e aquele estacionamento (Iate) descaracterizando toda a construção de Oscar Niemeyer. Tomara que, caso esse título ocorra, a situação melhore. BH tem um tesouro nas mãos, mas não o usa”

Marcos Lavieri, 43 anos. Jornalista. Estava com a esposa Juliana de Moraes Davi, 39, e os filhos Fernando,6, e Rodrigo, 3. Moradores de São Paulo.

Pampulha

“Quando vim para cá não conhecia nada. Aprendi muito com a dona Priscila (Priscila Freire, que foi diretora do museu por 14 anos). Ela tinha um olhar todo especial para a arte. Vivi grande parte da minha vida neste local. Cheguei solteira e hoje sou casada, com duas filhas. Trabalhar aqui é gratificante. Amo este lugar. Faço de tudo para vê-lo sempre lindo” 

Gavone Mercês Ferreira, 49 anos. Funcionária mais antiga do Museu de Arte da Pampulha. Trabalha no MAP há 22 anos.

 

Pampulha

“Viemos trazer meu filho para um teste num time de futebol da capital. Aproveitamos para dar um passeio e conhecer. Não imaginávamos que a lagoa era tão grande. Já tínhamos ouvido falar, mas estar aqui, pessoalmente, é bem diferente. Muito bonito. Merece um cuidado especial para que continue sendo este belo cartão-postal. Tomara que este reconhecimento internacional ajude nisso”

Ricardo Araújo, 43 anos. Treinador de Futebol. Mora em Caieiras, na grande São Paulo. Estava com a esposa Adriane Lizak.

 

Pampulha

“Corro na orla oito quilômetros três vezes por semana. Chego na Igrejinha, faço meu alongamento, uma oração e sigo em direção ao Parque Ecológico. De um tempo para cá, a lagoa melhorou muito. Estava suja e com mau cheiro. Sou a favor da candidatura para se tornar patrimônio mundial. Claro, não podemos esquecer que investimentos estão sendo feitos aqui, mas que BH também precisa de mais atenção como um todo”

Roner Ramos, 49 anos. Militar. Morador do Bairro Ouro Preto, na Pampulha.

 

Pampulha

“Ter uma foto neste cartão-postal de Belo Horizonte é para o resto da vida. Esse lugar é maravilhoso, extremamente agradável. A escolha partiu de nós dois e temos certeza que acertamos, pois o clima é muito romântico. Nosso objetivo é fazer um ensaio dando destaque para este estilo moderno que existe aqui. Temos certeza de que as imagens vão ficar boas”

Sidney dos Santos, 24 anos. Motorista de Contagem, na Grande BH. Estava com a esposa Camila Oliveira, 24, fazendo um ensaio fotográfico com Marcelo Souza.

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