Inclusão, direitos fundamentais, diretrizes para construção civil, meio ambiente, socialização por meio da culinária. Esses são apenas alguns assuntos que entraram em pauta no VI Encontro de Iniciação Científica, acontecido na manhã deste sábado (18), na unidade Prado das Faculdades Kennedy e Promove. O evento serve como porta de entrada para estudantes que pretendem seguir vida acadêmica depois de formados na graduação, além de estimular a pesquisa aplicada trazendo ganhos práticos. 

Neste ano, 80 alunos participaram do encontro com 35 projetos de iniciação científica que foram debatidos e avaliados por uma banca de professores convidados. “O estímulo à pesquisa não é obrigatório em faculdades, por isso, não é tão comum em instituições privadas. Mas, mesmo sem a obrigatoriedade, essa é uma opção das faculdades Kennedy e Promove, que fazem um investimento alto na pesquisa”, afirma o coordenador do núcleo de pós graduação e pesquisa das duas instituições, Silvino Paulino dos Santos Neto.     Os alunos que participam da iniciação científica têm bolsa de 50% e os professores um adicional nos salários. 

“Os alunos que ingressam na pesquisa acabam tendo uma formação mais crítica e, com isso, saem mais preparados para o mercado de trabalho”, afirma uma das professoras que compuseram a banca, Sabrina Cavalcanti, doutora pela UFMG e professora do Centro Universitário Unihorizontes.     Para o professor de Direito da PUC Minas, também responsável pela avaliação dos trabalhos, Vinicius Costa Gomes, é necessário um estímulo a esse tipo de evento. “O Brasil precisa de ciência para deixar de ser o país do chute. Trabalhos como os apresentados aqui é que devem nortear políticas públicas para que elas sejam embasadas na realidade”, conclui. Mestre em administração, Luiz Gustavo da Silva Domingues, gostou muito da qualidade dos trabalhos apresentados. “Os projetos vêm evoluindo a cada edição”, avalia.  

Estudante do nono período de Direito da Kennedy, Simoni Miranda, de 32 anos, vê no evento uma oportunidade de debater questões fundamentais para a sociedade. Ela escolheu como tema de pesquisa as medidas punitivas impetradas em pessoas com problemas mentais. “Sou da Polícia Militar e vejo diariamente pessoas com essas limitações cometerem crimes. Prender é fácil. Mas me pergunto o que vai ser feito depois com essas pessoas? Essa minha preocupação com o destino dado a elas que me motivou a estudar o assunto”, conta. A aluna foi, inclusive, a escolhida como autora do melhor trabalho apresentado no encontro.   

As estudantes do décimo período de Direito da Kannedy, Camila Barbosa, de 23 anos, e Amanda Augusta, de 27, decidiram debater um tema extremamente atual: a xenofobia, que é a aversão aos estrangeiros instalados no país. “Nós identificamos que menos de 1% das denúncias de xenofobia viram processos. E decidimos entender os motivos”, explica Amanda. Elas perceberam que barreiras como o medo da deportação, a falta de uma previsão legal para esse tipo de crime contra estrangeiros no país são uma parte da explicação para o baixo índice no judiciário. 

Para a professora orientadora das duas, Cristiane Cabral, esse trabalho colaborou para desmitificar a visão do povo brasileiro como “acolhedor”. “Nós estamos tendo relatos de preconceitos em postos de saúde, na busca por um emprego, em várias instâncias. Muitos brasileiros entendem, inclusive, que os estrangeiros em solo nacional são uma ameaça porque podem pegar seus empregos. E esse processo está sendo agravado com a crise”, afirma.     

O coordenador do curso de Direito da Faculdade Kennedy, Hellom Lopes Araújo, acredita que o encontro seja uma oportunidade não apenas para os estudantes melhorarem seus currículos como também para gerar conteúdo de relevância para a sociedade. “O debate colabora para que sejam aprimoradas pesquisas que trazem melhoras na vida prática das pessoas. E para os alunos que querem seguir carreira acadêmica, não tem jeito, a porta de entrada é a própria faculdade mesmo. Por isso, a participação em eventos assim é de extrema importância”, avalia.