A partir da segunda quinzena de janeiro, estudantes de todo o país poderão dizer o que gostariam que mudasse no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Ministério da Educação (MEC) vai lançar uma consulta pública on-line para avaliar alterações na estrutura do maior processo seletivo para as universidades brasileiras. Acredita-se que um dos objetivos da medida seja avaliar a redução de custos da prova. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), a consulta deverá ficar aberta no site da pasta por um mês e será opinativa.

O formato da pesquisa e os itens que serão abordados ainda estão sendo definidos, mas o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou, em dezembro, que um dos pontos tratados pela consulta poderia ser a duração das provas. Ele explicou que o objetivo é pensar em soluções para aprimorar as edições do Enem de 2017 e 2018.

Uma das principais demandas de estudantes e profissionais da educação é a realização de duas edições anuais da prova - que hoje é aplicada apenas uma vez ao ano. A professora da Faculdade de Educação da UFMG, Flávia Xavier, integrante do Núcleo de Pesquisas em Desigualdades Escolares, defende uma segunda aplicação mas lembrou que é importante que as alterações não afetem o modelo do Enem como teste de seleção para o ensino superior.

"Nos anos 1990, o Enem tinha a função de avaliar o aprendizado no ensino médio, e apresentava questões fáceis, médias e difíceis. Agora, desde que foi adotado pelas universidades públicas e privadas, o perfil mudou e a prova se tornou mais complicada porque ela se presta a selecionar os candidatos. É um caminho sem volta”, disse.

Essa é a primeira vez que a estrutura da prova está sendo discutida desde 2009, quando o Enem ganhou características de vestibular. A questão central das mudanças, para Flávia, é que elas sejam pensadas a partir de análise dos resultados da primeira alteração no modelo do exame. “Temos que olhar se o Enem, de fato, está democratizando o acesso à universidade e garantindo mobilidade territorial e acesso de alunos do ensino público à academia. A partir dessas pesquisas podemos pensar como o processo pode ser alterado”.

Alunos
A estudante Luísa Melo, de 17 anos, prestou o exame em 2016 e teme que o processo fique mais excludente. “Se eles aumentarem novamente o preço da inscrição, como fizeram em 2015, podem deixar mais alunos de fora da prova, mesmo com as isenções para pessoas de baixa renda”, avalia. Mas a iniciativa de consultar a população sobre as atuais características da prova representou um alívio para Elisa Bastos, de 17 anos. “Perto de tantas medidas impopulares na educação é bom ser ouvida nessa questão. Dá a sensação de que estou mesmo participando desse processo”, disse.