O nível de aprendizado dos estudantes do terceiro ano do ensino médio das redes pública e privada de Minas Gerais atingiu o pior desempenho em dez anos. Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativos a 2015, divulgados ontem pelo Ministério da Educação, revelam que o Estado teve a pontuação mais baixa desde o início da avaliação, em 2005. O resultado alcançado no último ano foi de 3,7 e está um ponto abaixo da meta de 4,7 estabelecida para o período. 

681 mil alunos estão matriculados nas escolas públicas estaduais de Minas Gerais, de acordo com os dados do Censo Escolar de 2015

Na mesma faixa de ensino, a educação mineira caminha lado a lado com a média nacional. A pontuação relativa às escolas do Brasil também foi de 3,7. 
O nível de aprendizado do ensino médio em Minas nas duas redes vem caindo desde 2013. A maior pontuação alcançada foi em 2009: 3,9. A nota se manteve na edição de 2011, mas caiu nas duas avaliações seguintes. O desempenho brasileiro, porém, nunca sofreu redução. Apesar disso, essa é a terceira edição consecutiva em que o país segue com o mesmo placar no indicador.

Para o especialista em políticas educacionais e professor da PUC Minas Carlos Roberto Cury, o desempenho negativo dos estudantes é resultado, entre outras coisas, da falta de uma base homogênea e consensual para todo o país. “Desde o fim da década de 90 que esse período escolar passa por uma série de revisões e arranjos em busca de uma melhoria no ensino. Hoje, essa previsão de melhoria está no Plano Nacional de Educação, discutido por profissionais e gestores de todo o país”.

A unificação do ensino passaria, necessariamente, por duas vertentes distintas, porém complementares. “É preciso que sejam feitas revisões curricular e do método de ensino. O estudo para o jovem com mais de 15 anos tem que ser atrativo, interessante, e responder às necessidades dele, e isso tem relação com mudanças curricular e didática”, avalia.

Apesar de ressaltar que o retrato do ensino apresentado pelo Ideb com base na média obtida pelo somatório das instituições deve ser levado em consideração, o pesquisador alerta que é preciso observar também as questões individualizadas. “Cada rede, pública e privada, deve se atentar para suas particularidades e trabalhar essas questões distintas. Apenas assim será possível pensar em uma política nacional para atacar os problemas”.

Particular

Resolver essas questões, aliás, é o que o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas (Sinep), Emiro Barbini, pleiteia. A situação não é das melhores na rede. Por aqui, as instituições privadas nunca alcançaram a meta, apesar de o índice estipulado ser quase dois pontos maior do que o do ensino público. “É preocupante. Além de não alcançar a meta, houve queda em relação à última pesquisa. É uma obrigação nossa estar acima da média, trabalhamos para isso”. Segundo ele, haverá uma reunião com as escolas para traçar estratégias e reverter a situação.

A Secretaria de Estado de Educação irá comentar o resultado somente hoje; em nota, a pasta informou que, como não houve divulgação preliminar dos dados para os Estados, a análise deles só foi possível após a publicação pelo MEC na tarde de ontem

Levantamento

O Ideb é o maior índice de educação do país. As notas são calculadas de acordo com o desempenho dos estudantes das redes pública e privada nas avaliações de português e matemática da Prova Brasil, considerando a taxa de aprovação. O indicador, divulgado a cada dois anos, avalia separadamente três séries: o 5º e o 9º anos do ensino fundamental e a última do médio.

O Sindicato dos Professores das Escolas Particulares avaliou o desempenho como resultado da mercantilização educacional do ensino médio

Quinto ano do nível fundamental da capital bate a meta pela quarta edição seguida

Ao contrário das notas em queda observadas nas séries mais altas, o 5º ano na rede municipal de Belo Horizonte superou a meta estabelecida pelo Ideb para 2015, que foi 5,9. No ano passado, a capital mineira obteve nota 6,1. 

Essa foi a quarta vez seguida que a rede, que tem cerca de 190 mil alunos, consegue ultrapassar a meta. Para a secretária municipal de Educação, Sueli Baliza, os bons resultados são frutos de um plano de metas estabelecido para cada unidade escolar.

“Entre o final de 2014 e o início do ano passado, trabalhamos com um plano de melhorias. Cada escola faz um trabalho específico visando melhorar os índices. Além disso, procuramos saber o motivo de os estudantes estarem ou não em sala de aula e como está a situação de cada um deles”, frisa.

Ruim

Por outro lado, depois de bater as metas nos levantamentos de 2009, 2011 e 2013, o 9º ano não conseguiu atingir a nota desejável em 2015. O índice alcançado ficou 0,1 abaixo do proposto, que foi de 4,9.

O resultado, de acordo com Sueli Baliza, será estudado e ações serão adotadas. “Numa primeira avaliação, acreditamos que a queda seja em função do fluxo de alunos em sala de aula. Quando vamos atrás do estudante faltoso, reunimos elementos para entender o motivo de ele não estar frequentando a escola”, explica.

Apesar do resultado ruim neste ano, a secretária destaca que existe um planejamento que abrange as duas séries de ensino. “O plano é comum para toda a rede. Nos reunimos no final de cada ano para conversar com os gestores, como os diretores. A partir daí, cada escola adequa as diretrizes para a sua própria realidade.