No mesmo dia que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) informou que vai abrir processo administrativo disciplinar contra 34 estudantes suspeitos de fraudar o sistema de cotas raciais, estudantes da instituição entregaram nesta quinta-feira (17)  à reitoria da universidade documentos apontando 28 possíveis casos de fraudes em cotas. Os alunos denunciados são todos entrantes neste ano.

Um grupo de universitários tem levantado possíveis irregularidades para coibir casos fraudulentos. Além dos 28 nomes divulgados para a administração da universidade, outros 126 estão em análise pelo grupo e poderão ser os próximos denunciados. "Estudantes de várias áreas estão nos procurando para apontar essas fraudes. Nós averiguarmos tudo que chega e só entregamos nomes dos que confirmamos a irregularidade", afirma o aluno do curso de Ciências do Estado e presidente da União das Negras e Negros pela Igualdade, Alexandre Braga. 

Os nomes foram mantidos em sigilo para evitar a exposição dos estudantes. Porém, eles são dos cursos de Comunicação Social, Ciências Econômicas, Arquitetura, Direito, Medicina e Psicologia. 

No ano passado, foram levados ao conhecimento da universidade 61 casos de universitários que começaram os cursos em 2017. Desses, dez se desligaram espontaneamente da instituição. Outros 34 foram apontados como possíveis fraudadores hoje pela própria comissão de sindicância instaurada na UFMG. 

Eles ainda terão chance de se defender até a definição da instituição. O restante teve a suspeita de fraude descartada. 

Segundo o presidente da Comissão de Sindicância e Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis, Rodrigo Ednilson de Jesus, as denúncias serão todas averiguadas. E, se houver indícios de estarem corretas, um processo administrativo será instaurado, assim como com os 34 em curso. "A participação dos alunos é muito importante para que possamos detectar esses erros", afirma. 

Advogados da Comissão de Promoção à Igualmente Racial da OAB acompanharam o ato de entrega dos documentos ocorrido no fim da tarde desta quinta. Eles deverão levar as denúncias ao Ministério Público Federal para que o órgão acompanhe a distribuição de cotas na universidade. "Fingir que é negro sendo branco apenas para conseguir uma vaga é crime de falsidade ideológica, passível de prisão de um a cinco anos", afirma um dos advogados, Marcos Ribeiro.

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