O ex-reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Paulo César Gonçalves de Almeida, foi exonerado do cargo de analista universitário sob a acusação de causar prejuízos aos cofres públicos. Segundo despacho publicado pela Controladoria-Geral do Estado (CGE), ele teria, dentre outras infrações, aplicado indevidamente o dinheiro público durante o período em que geriu a instituição de ensino, de 2002 a 2010.

Conforme o despacho assinado pelo controlador-geral Eduardo Martins de Lima, o caso configura falta grave. Tanto Almeida quanto os demais servidores citados no documento têm “dez dias para, se tiverem interesse, apresentarem pedido de reconsideração”.

Atualmente, o ex-reitor é provedor do hospital Aroldo Tourinho, unidade de saúde que atende pacientes de mais de cem municípios do Norte de Minas e do Sul da Bahia. Por nota, a entidade afirmou que a penalidade se refere a supostas irregularidades na contratação de servidores da Unimontes e que todos os recursos já estão sendo providenciados.

“O professor Paulo César nega o cometimento de qualquer tipo de ilegalidade, uma vez que, mesmo sendo o reitor da Unimontes, não era o responsável direto por essas contratações”.

Punidos

Além de Almeida, o despacho da CGE cita ainda João dos Reis Canela, que é o atual reitor da Unimontes e foi absolvido. O documento também exonera uma servidora, aplica a penalidade de repreensão a um servidor e de suspensão a um terceiro. 

Por meio da assessoria de comunicação, a Unimontes informou que não iria se posicionar sobre o despacho, uma vez que o caso era de responsabilidade da CGE.

Veja a nota na íntegra:

A referida penalidade aplicada, em relação a supostas irregularidades cometidas na contratação de servidores técnicos-administrativos que trabalharam em funções indispensáveis na época em que foi reitor da Unimontes, se deu apenas em âmbito administrativo e a ela cabem recursos, tanto na esfera administrativa, como na Justiça Comum, os quais já estão sendo providenciados.

O professor Paulo César nega o cometimento de qualquer tipo de ilegalidade, uma vez que, mesmo sendo o reitor da Unimontes, não era o responsável direto por essas contratações. Afirma que o inquérito administrativo foi realizado de forma atabalhoada, eivado de vícios e incorreções e que o mesmo será facilmente derrubado na Justiça Comum, caso os recursos administrativos não sejam aceitos. Afirma ainda que, em sua carreira de mais de 30 anos de serviço público, ocupando diversos cargos e funções, jamais foi acusado de qualquer desvio de conduta, nunca tendo sido anteriormente sequer processado por sua atuação como servidor.

O professor Paulo César estuda, inclusive, a possibilidade de impetrar ação por calúnia, difamação e reparação de danos morais por conta da perseguição da qual está sendo vítima. Informa que seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, de qualquer período de sua vida profissional, estão à disposição das autoridades. Finaliza dizendo que as obras sociais que marcaram sua trajetória, seja na Unimontes, seja no trabalho filantrópico e voluntário que atualmente desenvolve no Hospital Aroldo Tourinho, falam por si e são sua maior defesa.