As paisagens de Belo Horizonte e seus contrastes de luz e sombra são o norte estético do trabalho de Rogério Marcus. O artista visual mineiro apresenta, entre esta quinta-feira (1º) e dia 15 de fevereiro, sua mais nova exposição, calcada nas técnicas de nanquim, guache e carvão. A mostra aberta, que acontece na Villa Floriano Pizzaria, conta com cerca de dez obras, de diferentes tamanhos, que estarão à venda.

​Nascido em Juiz de Fora, Rogério Marcus esboçou seus primeiros rabiscos ainda criança, entusiasmado pelas histórias em quadrinhos. “Comecei  a desenhar aos 12 anos, influenciado pelos quadrinhos. Primeiro, os de Maurício de Souza, depois os super-heróis”, relembra. “Com os anos, fui me interessando também por técnicas de pintura, trabalhando e estudando arte em diferentes períodos da vida, até cursar Belas Artes na UFMG”, completa Marcus.

Dos experimentos com diferentes técnicas, o artista descobriu sua estética de preferência. “Comecei a usar muito nanquim e aquarela. E vi que me interessava o preto e branco e o alto contraste”, explica Marcus. “Sempre tive uma atração muito forte  por visuais que brincam com o claro e o escuro. A luz solar, o asfalto molhado, as montanhas  e nuvens  por trás da cidade”, diz.

Como, desde 2015, o artista já se dedicava às pinturas de paisagens, decidiu juntar o segmento estético com as técnicas que serão apresentadas na exposição. “Percebi que são técnicas que respondem muito bem à inspiração das paisagens mineiras, que são muito austeras, cheias de interação entre luz e sombra, com um quê de épico”, afirma Marcus, revelando que algumas obras retratam paisagens de Casa Branca, cidade onde ele teve uma vivência recente.

O artista conta que a decisão de escolher a técnica ideal para cada paisagem é mais afetiva que puramente racional. “É uma decisão que resulta da interação com as minhas memórias e pesquisas recentes”, afirma, lembrando que, na exposição, há também desenhos de gatos e um retrato. “Vi na forma dos gatos um desafio interessante. Queria reproduzi-los da maneira mais elegante e sintética possível. Fazendo o desenho em uma pincelada só. Para isso, me inspirei na gestualidade oriental e fui fazendo testes”, conta o artista mineiro. “Mas, assim como as paisagens, há uma interação entre luz e sombra, preto e branco, que creio ser o denominador comum desse trabalho”.

Serviço: Exposição de Rogério Marcus – Nanquim, guache e carvão. De quinta-feira (1º) a dia 15 de fevereiro, na Villa Floriano Pizzaria (av. do Contorno, 3.277, Santa Efigênia). Entrada franca.