O principal suspeito da tentativa de assassinato do promotor de Justiça Marcus Vinícius Ribeiro, Juliano Aparecido de Oliveira (22), confessou o crime neste domingo (22), segundo a Polícia Civil. O atentado, que aconteceu na noite de sábado em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, teria motivações políticas. Juliano é filho do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Valdelei José de Oliveira, que teve o mandato cassado em 2014 a partir de investigações do promotor. O caso acontece 13 anos após o assassinato do promotor de Justiça Francisco Lins do Rêgo, em Belo Horizonte. Ele investigava a máfia dos combustíveis que agia no Estado.

Uma força-tarefa composta pelo procurador-geral de Justiça de Minas, Carlos André Mariani Bittencourt, pelo presidente da Associação Mineira do Ministério Público (AMMP), Nedens Ulisses, pelo chefe da Promotoria de Combate ao Crime Organizado e pelo chefe do Departamento de Investigações e Crimes Contra o Patrimônio (DICCP), Ramon Sandoli, está em Monte Carmelo para acompanhar o caso.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Wilton José Fernandes, o promotor teve o carro atingido por pelo menos 12 tiros. Um homem que pilotava uma moto teria feito os disparos. Quatro balas acertaram Ribeiro, três nas costas e uma no braço. A arma, uma pistola 380, foi encontrada em um matagal nos arredores da cidade. O local foi indicado pelo suspeito, que inocentou o pai, o ex-vereador, de ser o mandante do crime.

Mesmo se o suspeito não tivesse confessado, o delegado afirma que as provas contra a dupla são robustas. “Encontramos indícios de pólvora na mão de Juliano e na moto. Além disso, testemunhas o viram de campana perto do Fórum. Temos, também, as câmeras de segurança da região. Já Valdelei tinha a motivação”. Até o fechamento desta edição, ambos esperavam vaga em penitenciária para transferência.

O promotor foi encaminhado ao Hospital Santa Clara, em Uberlândia, onde passou por cirurgia e está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o diretor da unidade, Cláudio Rezende, o quadro inspira cuidados, porém é estável. Outras informações sobre a saúde do promotor serão divulgadas às 15h de hoje.

O presidente da Associação do Ministério Público esteve com o promotor por volta das 17h, pouco depois de Ribeiro ter acordado. “Ele está lúcido e consciente. O risco é mínimo”, afirma. Segundo Nedens, a segurança dos promotores, que é realizada pela Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), deve ser incrementada após esse caso.