Um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisas René Rachou, da Fiocruz-MG, desenvolve pesquisa inédita no país que pode chegar a uma fórmula para salvar os cerca de 200 fícus infectados em Belo Horizonte por duas pragas, a mosca-branca do fícus (Singhiella Sp.) e o fungo Lasiodiplodia theobromae.

Conforme o Hoje em Dia publicou na edição da última quinta-feira (11), com exclusividade, os trabalhos tiveram início nesta semana. Caso os pesquisadores consigam desenvolver um método para estancar a infestação ou a cura para a doença dos fícus, a descoberta beneficiará árvores doentes em todo o mundo.

Os pesquisadores foram a campo e aproveitaram a poda dos fícus na avenida Barbacena para coleta de amostras de galhos infectados, de moscas, larvas, ovos e partes do fungo, que já estão nos laboratórios.
 
O grupo de 17 pesquisadores de diversas especialidades é chefiado pelo professor da Universidade de Feira de Santana (BA) e especialista em fungos, Aristóteles Góes Neto, e gerenciado pela bióloga Ângela Volpini.

Segundo a farmacêutica bioquímica Fernanda Badotti, do Centro de Excelência em Bioinformática (CEBio-Fiocruz-MG), o primeiro passo será identificar o nível de espécie da mosca-branca e avaliar a possibilidade desta mosca estar carreando um fungo da espécie Lasiodiplodia theobromae, um causador de doenças em diversas espécies de plantas.

Em Belo Horizonte, há cerca de 12 mil fícus. Até agora, há pelo menos 200 árvores infectadas. São 51 na avenida Bernardo Monteiro, 44 na avenida Barbacena, 125 no Parque da Lagoa do Nado, seis na Praça da Igreja da Boa Viagem e casos isolados, como na avenida Amazonas.

No próximo dia 17, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de BH, decidirá sobre o corte de 11 fícus na avenida Barbacena. Marcia Mourão, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, disse que, depois de acordo com grupo “Fica Fícus”, as árvores não serão cortadas.

Ela acrescentou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda não se pronunciou sobre a autorização para uso do inseticida orgânico Nim nos fícus infestados pela mosca-branca.