Nem Diamantina, nem as praias do Espírito Santo e muito menos as do Rio de Janeiro. Belo-horizontinos decidiram passar longe da estrada no Carnaval para curtir a folia pertinho de casa. O crescimento da festa por aqui foi o que fez muita gente deixar a viagem de lado: em 2018, conforme a Belotur, serão 480 blocos desfilando nas ruas – 37% a mais que no ano passado. Comodidade, baixo custo e qualidade da festa completam a lista de benefícios para quem opta por jogar serpentina e confete pelas vias da capital.

A dentista Juliana Barroso, de 27 anos, apostou nessa ideia e se apaixonou pelos bloquinhos e pela rotina carnavalesca de BH. Durante oito anos, a jovem passou o feriado em Diamantina, região Central do Estado. Agora, não viaja mais.

Nem mesmo o afeto que tem pela cidade histórica fez Juliana mudar de opinião depois de conhecer a folia da capital. “Conheci o meu namorado, com quem estou há seis anos, lá em Diamantina, mas ficamos juntos em BH. Adoramos a folia durante o dia e já estamos nos programando para curtir este ano”, conta.

O custo e o conforto também ajudaram na escolha. Em Diamantina, a dentista precisava alugar casa e arcar com os custos da alimentação. Curtindo a farra na capital, ela mantém o conforto do lar sem precisar dividir espaço com ninguém e ainda economiza o dinheiro que gastaria com a viagem. “É muito mais prático e o Carnaval aqui não perde em nada para o de lá”.

Contando os dias para a chegada do feriado, Juliana já sabe exatamente os blocos que vai seguir. ‘Volta, Belchior’ e ‘Então, Brilha!’ estão na lista.

550 desfiles devem realizar os blocos de rua cadastrados para o carnaval em BH neste ano; em 2017, foram 416 cortejos

Com expectativas

A dentista não é a única. A estudante Luísa Milagres, de 20 anos, costumava ir para Pompéu e Abaeté, na região Central, para pular Carnaval. “Fui convencida pelos amigos a experimentar a folia aqui. Estou ansiosa e cheia de expectativas”. 

A jovem deve se organizar para não perder nenhum bloco. Anotar os trajetos e separar os desfiles por dia ajudam a estudante a curtir ao máximo o feriadão na capital.

Crescimento

Nos últimos anos, o número de blocos de rua inscritos pela Belotur disparou. Cerca de 200 grupos desfilaram em 2015. Este ano, a previsão é a de 480 nas ruas no período de 9 a 14 de fevereiro. 

O público também é destaque. Há três anos, cerca de um milhão de pessoas curtiram a festa de Momo na capital. Em 2018 a expectativa é a de receber 3,6 milhões – um acréscimo de quase 260%. “O Carnaval de Belo Horizonte se concretizou, de fato, no ano passado. O que começou com uma iniciativa espontânea de blocos de rua, hoje desperta interesse em turistas e visitantes”, comenta o presidente da Belotur, Aluizer Malab.

Para o gestor, os números da folia são a prova de que a festa já deu certo por aqui. “Não é apenas um evento cultural, ele vai além. É um fator econômico muito importante para a cidade e o belo-horizontino contribuiu muito para isso. É um protagonista e grande incentivador do Carnaval”, frisa.

Quer cair na pré-folia? Confira os ensaios de alguns blocos de rua neste fim de semana:

SÁBADO (13 de janeiro)

É o Amô
Local: Bar Latino (avenida Tereza Cristina, 537, Prado)
Horário: 10h às 13h
Entrada: R$ 15

Quando Come Se Lambuza
Local: rua do Mercado, 150, Conjunto Santa Maria
Horário: 17h
Entrada: entre R$ 10 e R$ 20 (1º e 2º lote)

Alô Abacaxi
Local: Praça da Estação
Horário: 15h às 19h
Entrada: Gratuita

DOMINGO (14 de janeiro)

Havayanas Usadas
Local: A Fábrica (avenida Tereza Cristina, 295, Prado)
Horário: 15h às 18h
Entrada: R$ 10 (Integrantes da Bateria Chinelada e crianças até 12 anos não pagam)

Unidos do Samba Queixinho
Local: Savassi 158 (rua Professor Moraes, 158, Savassi)
Horário: 15h30
Entrada: de R$ 15 a R$ 40