Ministério da Saúde pediu ajuda internacional para abastecer seus estoques de vacina contra febre amarela. Diante da decisão do Rio de vacinar, até o fim do ano, toda população do Estado e da epidemia registrada em vários pontos do País neste ano, o Ministério da Saúde solicitou 3,5 milhões de doses ao Grupo de Coordenação Internacional para o Fornecimento de Vacinas. Elas deverão chegar no País na próxima semana.

Além do auxílio internacional, o Ministério da Saúde solicitou que a Fundação Oswaldo Cruz passe a produzir o imunizante em sua capacidade máxima: 9 milhões de doses mensais. Esse quantitativo, de acordo com a pasta, deverá estar disponível no mês de abril.

Integrantes do ministério afirmam que as duas medidas são suficientes para garantir abastecimento adequado em todo o País. Mesmo com essas duas decisões, o governo não cogita suspender a exportação da vacina para entidades internacionais.

O Ministério da Saúde justificou que o pedido de doses extras constitui uma estratégia para não reduzir de forma significativa o estoque estratégico de imunizante contra febre amarela. A dimensão do estoque é mantida sob sigilo, sob a alegação de ser uma informação de segurança.

Com a decisão do Rio de vacinar até o fim do ano toda população do Estado, serão necessárias cerca de 15 milhões de doses. Nesta quinta-feira, foram enviadas 1 milhão de doses. A previsão é de que nos próximos 10 dias, outro milhão seja entregue. Até abril outros 2 milhões de doses serão encaminhados ao Estado.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação contra febre amarela no Rio será feita de forma gradual. Nessa primeira etapa, são atendidos 55 municípios. A mesma estratégia foi adotada no Espírito Santo, Estado que até este ano era considerado livre de febre amarela. Em virtude da epidemia, o Espírito Santo decidiu estender a vacina para toda a população.

A produção média da Fiocruz é de 4,5 milhões de doses mensais. No ano passado, foi enviado para o Ministério da Saúde o equivalente a 1,2 milhão de doses por mês. Este ano, por causa da epidemia, o quantitativo subiu para 6,5 milhões de doses. A estimativa do Ministério da Saúde é a de que até o fim do ano sejam distribuídas 70 milhões de doses de vacina contra a doença.

Passada a epidemia, o governo deverá mudar a estratégia de vacinação contra febre amarela. A ideia é incorporar o imunizante no programa de imunização para crianças de todo o País. Hoje, a vacina é ofertada no calendário vacinal apenas para crianças que vivem em regiões consideradas de risco.

Infectologistas, no entanto, consideram que essa estratégia não é mais suficiente para enfrentar a mudança do perfil da febre amarela no Brasil. A doença ao longo dos últimos 20 anos se espalhou. Em 2001, 1.945 municípios tinham recomendação para que população fosse vacinada. Em dezembro do ano passado, os municípios com recomendação de vacina chegam a 3.530. Agora, a recomendação atinge também Espírito Santo, Rio e cidades da Bahia.

Além de a doença ter se espalhado, a experiência mostra que a cobertura vacinal contra febre amarela está bem abaixo do que seria considerado ideal. A melhor estratégia para evitar novos surtos, avaliam consultores do ministério, é incorporar a vacina na rotina e vacinar crianças.

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